Ichthys: o que você sabe sobre a origem e definição desse símbolo cristão?
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Ichthys: o que você sabe sobre a origem e definição desse símbolo cristão?

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Você já deve ter visto o símbolo acima muitas vezes, certo? Conhecido como Ichthys, ele está entre as muitas representações que estão associadas ao cristianismo, juntamente com a cruz, o cordeiro, o bom-pastor etc., e seu nome tem sua origem no grego antigo. O desenho, como você deve ter notado, se parece a algo familiar — e não é à toa: Ichthys, que em grego se grafa ΙΧΘΥΣ, significa “peixe”. Aliás, existe muita simbologia, histórias e lendas envolvidas nesse sinal!

Um desenho — muitos significados

O Ichthys é um dos símbolos mais antigos do cristianismo e alguns estudiosos relacionam sua origem com Pedro, o apóstolo de Jesus que era pescador — bem como com a figura dos demais apóstolos de Cristo, que foram designados por ele como “pescadores de homens”. Ademais, as letras ΙΧΘΥΣ, que muitas vezes são grafadas no interior do desenho, seriam um acrônimo de “Iesous Christos Theou Yios Soter” ou “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador”.

O Ichthys  cristão(Ancient Pages)

Na verdade, existem várias referências na Bíblia relacionadas com peixes, sendo a mais icônica delas a passagem sobre o milagre da multiplicação do pão e dos peixes, na qual Jesus teria alimentado milhares de pessoas a partir de apenas cinco pães e dois peixes. Além disso, como o batismo era realizado através da imersão na água, criou-se a relação entre os convertidos e os peixes.

Vale lembrar também que, segundo os registros históricos, durante os primórdios do cristianismo, os seguidores dessa religião foram duramente perseguidos pelos romanos. Então, os primeiros cristãos costumavam a se encontrar nas catacumbas de Roma para professar a sua fé — e marcavam os lugares de reunião com o Ichthys. As tumbas dos seguidores do cristianismo também eram sinalizadas com o peixe, para que outros cristãos soubessem que ali se encontrava o corpo de uma pessoa de sua mesma fé.

Lendas

Dizem que o desenho do peixe também funcionava como uma espécie de “senha e contrassenha” para que os primeiros cristãos pudessem identificar uns aos outros sem correr tantos riscos por causa da perseguição que sofriam. No entanto, isso não impedia que eles se encontrassem em segredo para professar sua fé — e, segundo reza a lenda, para garantir que espiões não se infiltrassem entre eles, os cristãos pensaram em um jeito simples de usar o Ichthys como forma de identificação secreta.

Símbolo cristão(Copy Jesus)

De acordo com os relatos, entre os primeiros cristãos de Roma que decidiam se instruir na fé cristã e receber o batismo havia os chamados audientes (ou ouvintes) e os electi (ou escolhidos). Pois era entre os primeiros, isto é, entre os audientes, que eram as pessoas que estavam tendo seus primeiros contatos com a fé cristã, que os espiões costumavam se misturar.

Após passarem por todos os ritos e serem finalmente aceitos, os seguidores do cristianismo se tornavam “iniciados”, e quando eles se encontravam, um desenhava apenas um arco — no chão mesmo ou sobre a areia — e esperava que o outro completasse o Ichthys com outro arco. Dizem, também, que outra maneira de usar essa contrassenha era desenhar um semicírculo na palma da mão do outro possível cristão quando duas pessoas se cumprimentavam, esperando que o outro completasse o desenho. Caso a pessoa não entendesse o estranho toque, bastava inventar uma desculpa qualquer para escapar da saia justa.

Com o fim da perseguição aos cristãos, decretada no século 4, por meio do Édito de Milão, no qual o Império Romano se declarou neutro com relação ao credo religioso, os seguidores do cristianismo começaram a ser deixados em paz para professar sua fé em liberdade — e o uso do Ichthys como senha acabou se tornando desnecessário.

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