Os micróbios podem ter nos tornado seres humanos mais bondosos

Você já parou para pensar em por que os seres humanos são bondosos com seus semelhantes? Do ponto de vista evolutivo, essa parece ter sido uma questão genética que fez com que praticássemos cada vez mais o altruísmo conforme nos organizamos em sociedade. Porém, um novo estudo diz que isso não tem nada a ver com nossos genes: foram os micróbios que nos deixaram desse jeito.

Essa é uma teoria de pesquisadores da Universidade de Tel Aviv, em Israel, que estudaram os micróbios e tentaram encontrar relações entre eles e o desenvolvimento humano. Já sabemos, por exemplo, que alguns vírus e bactérias podem afetar o comportamento de seu hospedeiro. Pense, por exemplo, no vírus da raiva: ele pode deixar o indivíduo mais agressivo.

No mundo animal, certos parasitas são capazes de levar seu inseto hospedeiro ao suicídio. Também existem tipos de plasmas que manipulam hospedeiros bacterianos para que eles cooperem entre si. Será, então, que os micróbios podem ter tido alguma influência no comportamento dos seres humanos? Alguns cientistas acreditam que sim.

O altruísmo seria uma questão genética?

Genes ou micróbios?

A pesquisa foi analisada através de modelos computacionais, em que vários cenários de interações humanas foram testados: alguns possuíam micróbios “produtores” de altruísmo e outros, não. Surpreendentemente, chegou-se à conclusão de que alguns micróbios nos tornam mais bondosos para fazer com que interajamos com mais indivíduos. Dessa forma, esses seres minúsculos poderiam se espalhar para novos hospedeiros, aumentando a sua cadeia evolutiva. Bizarro? Um pouquinho...

Claro que a ideia de que a bondade é uma característica genética também foi colocada em questão. Porém, de acordo com esses cientistas, o altruísmo genético não seria capaz de evoluir tanto de geração para geração, ao contrário da teoria microbiana. Além disso, a bondade genética se espalha apenas entre os descendentes de uma pessoa boa, enquanto o altruísmo induzido poderia passar de indivíduo a indivíduo!

Micróbios supostamente poderiam influenciar o nosso comportamento em benefício próprio

Corrente do bem

“Acredito que o aspecto mais importante desse trabalho é que ele muda a maneira como pensamos sobre o altruísmo, centrando-se nos animais (ou seres humanos) que executam os atos altruístas para os seus micróbios”, analisa Lilach Hadany, pesquisadora de genética populacional da Universidade de Tel Aviv.

Você se lembra do filme “A Corrente do Bem”? Nele, o personagem principal tenta incutir na sua escola a ideia de que, se você faz um ato de bondade, ele acaba sendo replicado por outras pessoas. De acordo com os pesquisadores de Tel Aviv, isso faz sentido, já que é muito mais fácil de isso se espalhar como uma “infestação microbiana” do que apenas por uma influência genética.

Em "A Corrente do Bem", teoria é que atos de bondade podem influenciar os outros a fazer o mesmo

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