Você sabia que a felicidade pode fazer mal?
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Você sabia que a felicidade pode fazer mal?

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A máxima “tudo tem um lado ruim” geralmente irrita quem a ouve e, na verdade, parece ser um baita clichê. Só que não. Tudo – ou quase tudo, para não generalizar – tem um lado negativo. Mas será que até a felicidade pode ser triste? Não é muito paradoxal essa ideia? Felicidade não é exatamente a ausência de algo ruim? Bem, não é.

Aliás, vale sempre pensar na característica abstrata da felicidade, que nada mais é do que um sentimento, uma impressão, algo impalpável, que varia conforme quem a sente – tem gente que a define como uma noite na melhor balada da cidade enquanto há quem prefira um boteco com os amigos ou um filme embaixo das cobertas em meio a uma tonelada de pipoca. Nenhuma das felicidades é melhor, elas são apenas diferentes.

Definições

Fonte da imagem: Reprodução/PeaceAndLoveism

E, claro, há o conceito mais geral, aquele que vem da análise de um período mais longo, aquela resposta que você dá a alguém quando perguntam se sua infância foi feliz. É lógico que você teve momentos ruins, teve aquela prova de matemática superdifícil do segundo ano do ensino fundamental; teve o amor da sua vida, aquele cujo nome você nem lembra, que foi estudar em outro colégio; teve o tombo que você levou diante de todo mundo na aula de Educação Física.

Ainda assim, com infinitos altos e baixos, de um modo geral, você talvez consiga dizer se foi triste ou feliz. Isso tudo para tentar ilustrar o fato de que a felicidade é uma matéria com infinitas variáveis, e cientistas por aí andam dizendo que até ela tem um lado ruim. Será?

Uma pesquisadora da Universidade de Yale, June Gruber, defende a ideia de que uma pessoa que se considera feliz tem disfunções similares a quem é triste ou depressivo. A diferença se dá pela manifestação dessas disfunções no comportamento de cada indivíduo: o triste tende a focar sempre no próprio sofrimento (o que não significa que ele não tenha sentimentos bons) e o feliz, foca o tempo todo apenas na alegria (o que não significa que ele não tenha sentimentos tristes).

Na medida

Fonte da imagem: Reprodução/Nipic

A felicidade em excesso pode ser um problema sério segundo a pesquisadora, já que a pessoa feliz demais pode ignorar fatos que, naturalmente, produzem tristeza, como a morte de alguma pessoa próxima. Existem casos de pessoas que ficam inabaladas diante de acontecimentos trágicos simplesmente porque não conseguem sentir a tristeza – e isso não é saudável. Nem proposital, que fique claro.

O fato da falta de emoção negativa pode ser capaz de fazer com que uma pessoa perca as noções de perigo, envolvendo-se em atividades incomuns, correndo risco, fazendo apostas e afins. É preciso ficar atento sempre às suas manifestações de felicidade e excitação, pois, em alguns casos, isso pode ser caracterizado como hipomania, que nada mais é do que um estado de euforia extrema, presente em pessoas que apresentam transtornos psicológicos ou psiquiátricos como a depressão e a bipolaridade.

Em alguns casos, juntamente com a felicidade excessiva ou com a hipomania, vem também a compulsão, o desejo por adquirir bens sem que se tenha renda suficiente para isso, ou a compulsão por tarefas, que é quando a pessoa sente vontade de dar início a diversos projetos diferentes, sendo que dificilmente conseguirá concluir algum deles. Ou seja: felicidade tem, sim, o seu lado não tão feliz assim, e é preciso que você esteja sempre atento para, se for o caso, procurar ajuda psicológica ou médica.

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