Se você se liga em assuntos relacionados com nutrição, então deve saber que a dieta sem glúten é indicada para as pessoas diagnosticadas com a doença celíaca, isto é, uma condição que consiste em uma reação autoimune à proteína do glúten que provoca danos ao intestino delgado. Esse transtorno afeta a absorção de vitaminas e pode ocasionar uma série de problemas, como desconforto gastrointestinal e diarreia, anemia, fadiga e, em crianças, atraso no desenvolvimento fisiológico.

No entanto, uma porção de gente que não sofre de intolerância ao glúten resolveu adotar a dieta livre dessa proteína também, cortando cereais como o trigo, a cevada e o centeio de suas vidas. Mas, será que isso é mesmo uma boa ideia?

Não necessariamente...

De acordo com Denise Webb, da Universidade de Berkeley, muitas pessoas optaram por evitar o glúten acreditando que, dessa forma, estariam seguindo uma alimentação mais saudável e que pode promover o emagrecimento. Contudo, também existem os que foram motivados a cortar a proteína após ela ganhar má fama graças a livros e reportagens defendendo que ela seria responsável por uma variedade de males, incluindo a infertilidade e a esquizofrenia.

Um pedaço de pão(Pixabay/Mary Pahlke)

Só que, segundo Denise, nada disso é verdade, e o consumo do glúten apenas faz mal para quem é diagnosticado como celíaco ou para quem sofre de uma condição chamada sensibilidade ao glúten não celíaca — que tem sintomas parecidos à doença celíaca, mas que os especialistas acreditam ser provocada pela combinação da proteína com outros compostos presentes nos cereais.

Para quem não sofre com as condições acima — ou de sensibilidade a outras proteínas, como a do trigo, por exemplo —, a presença ou não do glúten não tem efeito direto sobre a alimentação. A verdade é que seguir uma dieta sem ele pode inclusive ser prejudicial, visto que muitos dos produtos processados livres de glúten têm menos fibras, vitaminas e minerais do que seus equivalentes convencionais.

Além do mais, diversas das opções sem glúten muitas vezes contam com mais açúcares e gordura do que seus “pares” normais — para melhorar a textura e o sabor dos alimentos — e, portanto, são mais calóricas. Sendo assim, a dieta livre da proteína do glúten não é necessariamente mais saudável.