Síndrome de Tourette: quando o indivíduo perde o controle sobre o corpo

Tiques, espasmos motores e sonoros, disfunção psicossocial e física são algumas das características da Síndrome de Tourette (ST), uma condição neurológica não degenerativa que se manifesta ainda na infância e é responsável por inibir o desenvolvimento da pessoa, trazendo consequências por toda a vida. É três vezes mais frequente nos homens do que nas mulheres. Estima-se que cerca de 1% da população sofre desse problema.

A condição pode ficar ainda mais grave e intensa na fase adulta, mas é por volta dos 4 a 6 anos de idade que ela se manifesta, agravando-se com o passar do tempo, com pico entre os 10 e 12 anos.

Descoberta ainda no século XIX, na França, a ST é uma desordem neurológica rara causada por uma falha da ação inibitória dentro de um circuito córtico-estriato-tálamo-cortical no cérebro, que suprime impulsos premonitórios para o movimento. Em suma, seus sintomas envolvem movimentos involuntários e vocalizações de palavras e frases espontâneas, muitas vezes xingamentos e palavrões.

O que a Síndrome de Tourette afeta?

Por ser uma condição rara e ainda pouco debatida socialmente, estudos indicam que a ST afeta o desenvolvimento infantil, causa redução do rendimento escolar, problemas emocionais, preconceito, estigmatização e bullying na escola. Ela está associada a problemas comportamentais, como indisciplina, crises de raiva, perda de autoestima, manifestação de estados depressivos, crises de ansiedade, perturbações no sono e alteração do humor.

Sem cura, mas passível de tratamento, a síndrome exige diagnóstico preciso ainda nos primeiros anos de vida do paciente que apresentar os sintomas. Para se descobrir a síndrome, podem ser feitos exames de eletroencefalogramas, ressonância nuclear magnética, tomografias e análises sanguíneas.

Tipos de tique da Síndrome de Tourette

  • Piscar repetidamente os olhos.
  • Fazer caretas.
  • Mover a cabeça de um lado para o outro.
  • Tossir, pigarrear, fungar ou cuspir.
  • Encolher ou sacudir os ombros.
  • Esticar os braços, estalar os dedos, bater palmas ou fazer outros movimentos com os braços e as mãos.
  • Chutar, saltar, rodar, torcer-se ou fazer outros movimentos com os pés e as pernas.
  • Repetir determinadas palavras.
  • Dizer palavrões (coprolalia) ou fazer gestos obscenos.
  • Gritar, gemer, assobiar, grunhir ou emitir outros sons.

O artigo completo sobre o estudo pode ser acessado no Brazilian Journal of Development.

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Fabiano de Abreu Rodrigues, colunista do Mega Curioso, é doutor e mestre em Ciências da Saúde nas áreas de Psicologia e Neurociências pela EBWU (Flórida) e tem o título reconhecido pela Universidade Nova de Lisboa. Mestre em Psicanálise pelo Instituto e Faculdade Gaio/Unesco; pós-graduado em Neuropsicologia pela Cognos (Portugal); pós-graduado em Neurociência, Neurociência aplicada à Aprendizagem, Neurociência em Comportamento, Neurolinguística e Antropologia pela Faveni (Brasil). Especialista avançado em Nutrição Clínica pela TrainingHouse (Portugal), The electrical Properties of the Neuron, Neurons and Networks, Neuroscience em Harvard (Estados Unidos). Bacharel em Neurociência e Psicologia na EBWU (Flórida); licenciado em Biologia e História pela Faveni (Brasil); especialista em Inteligência Artificial pela IBM e Programação em Python pela USP; MBA em psicologia positiva na PUC.

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