Síndrome de Havana: entenda mais dessa nova doença misteriosa

Novos casos da síndrome de Havana foram relatados por funcionários da Embaixada dos Estados Unidos (EUA) em Bogotá, capital da Colômbia, conforme anunciado pela imprensa norte-americana na terça-feira (12). A misteriosa doença, entretanto, foi anunciada pela 1ª vez em 2016.

Naquela época, diplomatas dos EUA que estavam na capital de Cuba — por isso o nome — descreveram sentir alguns sintomas, como dor de ouvido, tontura e sensação de pressão na cabeça. Até hoje nenhum estudo conseguiu comprovar a causa do quadro de saúde, mas existe uma suspeita de que esse mal tenha sido gerado pela radiação direta do micro-ondas.

Enfermos na Colômbia

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Os casos da síndrome de Havana na Colômbia ocorreram dias antes do secretário de Estado, Antony Blinken, chegar ao país para visitar a embaixada. Conforme relatado, mais de 1 dúzia de funcionários do governo apresentaram sintomas semelhantes aos que aconteceram em Havana no ano de 2016.

Os principais sintomas foram: vertigens súbitas, náuseas,  falta de concentração, dores de cabeça e no pescoço. Conforme divulgado pelo Departamento de Estado à CNN, algumas pessoas tiveram que ser retiradas do país, incluindo uma família com um menor de idade.

A maioria das pessoas afetadas eram funcionários da CIA e descreveram ter escutado um som intenso e doloroso nos ouvidos. Recentemente, o presidente colombiano, Iván Duque, afirmou ao The New York Times que o seu país investiga a situação e tem deixado os EUA coordenar o inquérito.

Em agosto deste ano, a vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, já havia cancelado uma viagem ao Vietnã depois de dois funcionários norte-americanos adoecerem — até hoje não foi confirmado se esses casos eram a síndrome de Havana. Em busca por respostas, o presidente Joe Biden assinou um decreto para fornecer compensação financeira aos indivíduos afetados pela doença.

Causa e sintomas

(Fonte: Pixabay)(Fonte: Pixabay)

Embora não existam muitas informações a respeito da síndrome de Havana, é de senso comum que esse é um problema de saúde que vem atingindo diplomatas norte-americanos. Apesar de nenhum comentário público ter sido feito a respeito do tema, os serviços de inteligência dos Estados Unidos suspeitam que a inteligência militar russa pode estar por trás do tema.

Conforme o que foi relatado pela primeira vez em Cuba, os principais sintomas para a síndrome de Havana são:

  • dores de cabeça;
  • tontura;
  • dificuldades cognitivas;
  • zumbido no ouvido;
  • vertigem;
  • dificuldades na visão, na audição ou no equilíbrio;
  • lesões cerebrais traumáticas (mais raro).

Citando a Academia Americana de Ciências, uma reportagem feita pela BBC indica que a explicação mais plausível para a síndrome é que os pacientes desenvolvam os sintomas depois de receberem "energia de radiofrequência direta e pulsada", ou seja, é possível que essa radiação seja proveniente dos micro-ondas.

Porém, ainda existe um desconhecimento sobre o que ou quem poderia estar causando esse tipo de radiação — a qual poderia ser emitida de maneira internacional. Um estudo encomendado pelo governo estadunidense indica que a União Soviética já pesquisava o assunto há anos.

Origem do problema

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

A primeira vez que noticiaram a síndrome de Havana foi entre 2016 e 2017, quando vários funcionários da embaixada norte-americana em Cuba passaram a apresentar os mesmos sintomas e sinais clínicos. Desde então, foram diversas outras situações parecidas sendo noticiadas pelo governo dos EUA em outras partes do mundo.

Essa situação fez que a embaixada fosse totalmente fechada, somente 2 anos depois de a administração de Barack Obama ter feito uma tentativa de reaproximação com o governo de Raúl Castro. Nesse período, existia uma recomendação das autoridades americanas para que seus cidadãos não viajassem para o país no Caribe.

Desde que mais casos da síndrome de Havana foram descobertos nos últimos meses, o governo de Biden parece ter mudado a postura sobre o tema. Agora, o Departamento de Estado assumiu a tarefa de alertar as autoridades americanas sobre os casos, mas não está divulgando publicamente informações como o número de pessoas afetadas e a localização dos incidentes.

Isso era uma prática comum em coletivas de imprensa anteriores, como aconteceu em Cuba e também na China. De modo geral, isso pode ser visto como uma maneira dos estadunidenses protegerem informações e tentarem se prevenir de um potencial inimigo. 

Doença psicossomática

(Fonte: Unsplash)(Fonte: Unsplash)

Até onde se sabe, a síndrome de Havana pode muito bem ser um "ataque internacional" como também poderia ser apenas uma doença psicossomática — o que não invalidaria os sintomas sentidos pelas autoridades. Mas o que isso significa? Em geral, uma parcela da comunidade médica acredita que os sintomas possam estar surgindo de um estresse intenso ou crime emocional muito forte.

Os dados disponíveis sobre a síndrome de Havana correspondem de perto à doença psicogênica em massa — mais comumente conhecida como histeria em massa. Nessas situações, o tratamento psicológico poderia ajudar a aliviar os sintomas e tratar o quadro de saúde.

Mesmo assim, as autoridades norte-americanas prometem continuar na busca por responsáveis e por seguir em uma investigação detalhada para obter a resposta correta à situação. 

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