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Quando as pessoas acreditavam que redes de alta tensão causavam câncer

“Não se sente muito perto da televisão, faz mal para os olhos”.

Se você nasceu entre a década de 1980 e os primeiros anos do século XXI, provavelmente já ouviu isso de seus familiares, que acreditavam que a televisão poderia prejudicar a visão se fosse assistida muito de perto ou por muito tempo — devido à luminosidade ou até mesmo à radiação a longo prazo.

O mesmo aconteceu para o micro-ondas, secadores de cabelo, computadores, celulares, telefones e diversos tipos de dispositivos que atualmente as pessoas consideram “seguros” para ter por perto.

A preocupação existia pelas ondas de radiação que esses objetos emitem, mais conhecidas como “campos eletromagnéticos”. Estudos científicos já apontaram que existe alguma relação entre esses campos e o risco de certos cânceres se desenvolverem em crianças — apesar de esse pulso ser considerado tão fraco que um consenso científico não o enxerga como ameaça à saúde pública.

O pânico

(Fonte: Dreamstime/Reprodução)(Fonte: Dreamstime/Reprodução)

Entretanto, esse medo todo foi tão grande que, no final da década de 1980, a população dos Estados Unidos entrou em uma espécie de frenesi quando surgiram boatos de que crianças haviam desenvolvido um grupo específico de câncer por morarem perto de linhas de alta tensão — como aponta um documentário semanal da Retro Report.

O epidemiologista David A. Savitz, então professor da Universidade da Carolina do Norte, concluiu que as crianças que moravam perto de linhas de força tinham duas vezes mais chances de desenvolverem a doença do que aquelas que não viviam, devido aos campos eletromagnéticos que as linhas criam.

De repente, o sistema de distribuição elétrica, que tornou a vida moderna possível, se transformou em um pesadelo na vida dessas famílias que moravam próximo das redes.

Em 1996, o comitê do National Research Council, uma extensão operacional da National Academy of Sciences, alegou que não encontrou nenhuma evidência convincente de que eletrodomésticos ou linhas de transmissão de energia pudessem oferecer perigo à saúde. Até mesmo o professor Savitz reconsiderou sua opinião sobre o assunto.

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Por outro lado, até hoje pessoas como o Dr. David O. Carpenter, diretor do Instituto de Saúde e Meio Ambiente da Universidade de Albany, continuam convencidas de que a ameaça é tão preocupante quanto parecia em 1980.

“Quase nada mudou em 25 anos em termos de controvérsia, embora as evidências dos efeitos biológicos dos campos eletromagnéticos continuem a ficar mais fortes”, disse ele ao The New York Times em julho de 2014.

Estatisticamente, conforme apontou o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), uma em cada 20 mil crianças americanas podem desenvolver leucemia, das quais duas em 20 mil podem ter chances maiores de ter a doença devido aos campos eletromagnéticos.

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