Suas escolhas alimentares são frutos da sua genética

Pesquisadores dizem que novas informações sobre as ligações genéticas por trás da ingestão de alimentos, obesidade e diabetes podem levar a uma melhor prevenção e tratamento.

Eles identificaram - no maior estudo já feito para examinar como os fatores genéticos afetam escolhas alimentares e o consumo de alimentos de uma pessoa - mais de duas dezenas de regiões de sequências genéticas que podem afetar a ingestão de alimentos dos indivíduos.

(Reprodução/Pixabay)(Reprodução/Pixabay)

Publicada na revista Nature Human Behavior, os cientistas esperam que o estudo ajude a encontrar novas estratégias de tratamento para conter a epidemia de obesidade.

Segundo o estudo, o cérebro é influenciado por vários sinais que afetam o comportamento alimentar das pessoas e regulam o equilíbrio energético de seus corpos. Esses sinais, por exemplo, controlam o apetite e gasto de energia em resposta aos níveis sanguíneos dos principais hormônios e nutrientes metabólicos.

Bioestatística na Universidade de Boston enquanto conduzia o estudo - agora professora associada ao Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas em Houston -  Chloé Sarnowski, diz que “a ingestão média diária de nutrientes e alimentos, um dos principais contribuintes da obesidade, é parcialmente influenciada por nossa genética”.

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Quando falamos nesses casos, a variação genética pode levar à fome extrema — e, consequentemente, à obesidade. Foram analisados os principais nutrientes que o corpo precisa e usa em grandes quantidades — carboidratos, proteínas e gorduras — para caracterizar melhor as regiões genéticas que influenciam nas escolhas alimentares.

“Apesar da alta correlação entre [genética e] nossas escolhas alimentares, um número limitado de estudos genéticos integrou informações sobre preferências por diferentes nutrientes ou alimentos”, diz Sarnowski.

“Pessoas com obesidade e diabetes são frequentemente estigmatizadas por fazerem escolhas alimentares não saudáveis. Embora a ingestão de alimentos seja moldada por muitos fatores, estudos anteriores mostraram que diferenças individuais herdadas contribuem para o quê, quando, porquê e quanto comemos”, diz Jordi Merino, co-autor e associado da pesquisa da Unidade de Diabetes do Hospital Geral e Centro de Medicina Genômica no Massachusetts e instrutor da Escola de Medicina de Harvard.

Resultado da pesquisa

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Para o estudo, a professora e colaboradores analisaram os genes e examinaram o consumo alimentar de 282.271 participantes de ascendência europeia do UK Biobank e do Cohorts for Heart and Aging Research in Genomic Epidemiology (CHARGE).

A partir destes dados, a equipe identificou 26 regiões genéticas associadas ao aumento da preferência por alimentos que contêm mais gordura, proteína ou carboidratos. No cérebro, esses genes influenciam áreas especializadas das células cerebrais, distribuídas pelo sistema nervoso central, que respondem a gorduras, proteínas e carboidratos.

“Quando essas áreas são ativadas, isso pode explicar porque as pessoas são mais propensas a preferir alimentos ou refeições com maior quantidade de gordura, proteína ou carboidratos”, diz Merino.

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A descoberta dessas variantes genéticas pode ser usada em pesquisas futuras para determinar se a composição da dieta está causalmente relacionada à diabetes tipo 2, obesidade e outras doenças.

“Nossos resultados também pode ajudar a identificar pessoas com maior probabilidade de seguir recomendações dietéticas específicas para a prevenção da obesidade ou diabetes", diz o também co-autor da pesquisa Hassan Dashti, instrutor de anestesia, cuidados intensivos e analgésicos do Hospital Geral de Massachusetts e professor de anestesia da Universidade de Harvard.

Se alguém tem maior suscetibilidade genética para preferir alimentos gordurosos, essa informação pode ser usada para ajudar esse indivíduo a escolher alimentos com maiores quantidades de gorduras saudáveis, em vez de recomendar outras abordagens de dietas que podem comprometer a adesão a essas intervenções.

A Associação Americana de Diabetes, o programa Horizon 2020 da Comissão Europeia, os Institutos Nacionais de Saúde, o Fundo Escolar de Pesquisa do MGH, a Fundação Novo Nordisk e a Fundação Lundbeck financiaram essa pesquisa.

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