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Nós nunca mais teremos uma temporada normal de gripe

Especialistas alertam que a pandemia de covid-19 foi o prenúncio de um "novo normal" na questão de saúde. A nova cepa de influenza H3N2 (Darwin) veio corroborar esta afirmação, indicando que não teremos mais "temporadas" de gripe, com a séria possibilidade do coronavírus se tornar uma doença endêmica. E mais: a infecção simultânea de covid-19 e cepas do vírus da gripe parece ser a tendência para o futuro.

Os índices de vacinação atuais demonstram a eficácia dos imunizantes, que diminuíram as taxas de internação e morte por doenças respiratórias. Contudo, a descoberta de infecções simultâneas por covid-19 e H3N2, popularmente chamada de "flurona", ligaram o alerta da comunidade científica, em especial os epidemiologistas, que temem a ameaça duplicada.

Especialista acreditam que a covid-19 não será erradicada

(Fonte: O Globo)(Fonte: O Globo)

Parece consenso entre especialistas em epidemiologia que a sociedade precisará aprender a conviver com o coronavírus. Uma pesquisa foi realizada com cem imunologistas, virologistas e epidemiologistas pela revista Nature no início do ano passado e revelou que, para cerca de 90% deles, é improvável que a doença seja erradicada.

Isso significaria que ela se tornaria uma doença endêmica, circulando de maneira constante, porém limitada a bolsões da população mundial. O lado menos tenebroso disso é que seria possível prever suas taxas de incidência e transmissão, permitindo, por exemplo, a criação de programas de imunização nas épocas de maior ocorrência, como já é realizado no caso da gripe comum.

De acordo com Julio Croda, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), as formas graves seguirão sendo controladas. "Com a vacinação e com o reforço vacinal, vamos conseguir impedir evolução para forma grave, mas não a circulação do vírus", contou em entrevista à Folha de São Paulo.

Os desafios a serem enfrentados caso a covid-19 se torne endêmica são grandes. A vacinação, por exemplo, deve se tornar alvo de campanha anual, com as vacinas sendo adaptadas às novas variantes que surgirem pela mutação do vírus. Além disso, o trabalho e as escolas precisarão se adaptar a este cenário em que o vírus é onipresente.

Estas informações impõem um sério desafio à sociedade: o de mudar seus comportamentos pensando no bem coletivo. Aglomerações em épocas de grande circulação do vírus necessitariam ser evitadas, enquanto pessoas contaminadas deveriam permanecer em casa.

Cenários positivos dependem da contenção do coronavírus

(Fonte: Andrea Rego Barros/Revista Galileu)(Fonte: Andrea Rego Barros/Revista Galileu)

Todos os cenários postos no momento por especialistas são apenas hipóteses. Existem alguns que defendem que a atual variante dominante, a ômicron, é o prenúncio do fim da pandemia. Entre os cenários positivos desenhados, dois enchem a população de expectativa.

No primeiro, o coronavírus seria erradicado em algumas regiões, como já ocorreu com outras doenças, como o sarampo. Enquanto partes do planeta contam com ampla cobertura vacinal e controle epidemiológico, outras regiões com menores índices de vacinação ainda sofreriam com a sazonalidade da doença, podendo até mesmo levá-la para regiões que não mais tivessem casos. Isso significaria que fechamentos esporádicos de fronteiras poderiam ocorrer.

Já o cenário mais positivo levantado por pesquisadores seria a completa erradicação do vírus. Para isso, a imunidade adquirida com a vacinação não poderia decair com o passar do tempo e o vírus não poderia sofrer mutações capazes de contornar a proteção obtida com as vacinas. Para que esse cenário se tornasse real, é fundamental completar o ciclo imunizacional e tomar as doses de reforço.

Século XXI já viveu outras três graves epidemias

(Fonte: Instituto Butantan)(Fonte: Instituto Butantan)

Só no século XXI, outras três doenças já haviam feito o mundo tremer, atingindo grande quantidade de pessoas, muitas delas de forma letal.

  • SARS: a síndrome respiratória aguda grave, conhecida por SARS, também foi uma doença causada por um coronavírus. O primeiro caso ocorreu em 2003, com um surto na China, posteriormente alastrado para os países vizinhos. A SARS foi a primeira doença altamente transmissível do século XXI. Sua letalidade foi de 3%, tendo sido controlada com medidas de segurança ainda no ano de 2003.
  • H1N1: assim como a H3N2, a H1N1 é causada por uma mutação do vírus Influenza. Também conhecida por gripe suína, a epidemia atingiu cerca de 75 países, sendo o México o primeiro local em que a doença foi identificada. Entre 2009 e 2010, foram mais de 650 mil casos identificados e cerca de 18,4 mil mortes em todo o mundo. Apesar da baixa letalidade, cerca de 0,02%, a H1N1 levou muita preocupação à população.
  • Ebola: o ebola não é um vírus novo, já que seus primeiros casos datam 1976, no Sudão e na República Democrática do Congo. Entretanto, a principal epidemia de ebola só foi ocorrer em 2013. Com mais de 28 mil casos identificados e 11 mil mortes, a epidemia de Ebola se estendeu até 2016 em alguns países da África Ocidental. Sua taxa de letalidade é uma das maiores e mais assustadoras: 90% das pessoas que contraem o vírus morrem. Além disso, o vírus deixa graves sequelas, como problemas de saúde mental e neurológicos.
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