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EUA pedem que visitantes de parques parem de lamber sapos

Se você já visitou um parque ou até mesmo um zoológico, provavelmente, se lembra de ter visto muitos avisos, tais como não alimentar os animais, não tocá-los ou evitar se aproximar deles. Mas nos EUA esses avisos foram elevados a outro nível.

O Serviço Nacional de Parques do país adicionou a lista de restrições o contato da língua com a pele do sapo do deserto de Sonora. Ou seja, está proibido lamber esses bichos por lá.

Em sua página no Facebook, a agência disse que, assim como se deve proceder com a maioria das coisas encontradas em um parque nacional, seja uma lesma ou um cogumelo, também não se deve sair lambendo sapos.

O sapo psicodélico

(Fonte: Shutterstock)(Fonte: Shutterstock)

O sapo do deserto de Sonora, também conhecido como sapo do rio Colorado, pode ter de 17 a 20 centímetros, sendo considerado o maior sapo nativo dos EUA. Embora ele emita um som de baixa frequência e fraco, está longe de ser inofensivo.

Dependendo da perspectiva, a toxina liberada pela criatura pode ser fatal para algumas pessoas, já que elas podem morrer após o consumo da substância devido a condições de saúde pré-existentes subjacentes. 

Aqueles que se arriscam a lamber a criatura, costumam chamar a tal toxina de “molécula de Deus”, visto que ela é um alucinógeno tão potente que, muitas vezes, chega a ser comparada com o êxtase causado por uma experiência religiosa.

(Fonte: Wikipedia/ Reprodução)(Fonte: Wikipedia/ Reprodução)

Aliás, na época de maior atividade desses sapos, que vai de maio a setembro, especialmente durante a estação chuvosa do verão no hemisfério norte, os donos de animais de estimação precisam ter atenção redobrada.

Por exemplo, um cão envenenado pelo sapo do rio Colorado pode apresentar sintomas intensos envolvendo batimentos cardíacos e marcha irregulares, salivação excessiva, dilatação ocular e espumação pela boca. Se o animal não receber tratamento imediato, ele pode até morrer.

Demanda crescente

(Fonte: Wikipedia/ Reprodução)(Fonte: Wikipedia/ Reprodução)

O poderoso alucinógeno encontrado na toxina desse sapo é chamado de 5-MeO-DMT. Mesmo considerando que seus riscos sejam conhecidos há um bom tempo, isso parece não assustar um grupo específico de pessoas. Nos últimos anos, a demanda pela secreção do anfíbio cresceu, especialmente impulsionada por pessoas que buscam uma experiência psicodélica intensa e marcante.

O negócio evoluiu tanto que existem até casos em que lamber o sapo é tratado, literalmente, como uma espécie de ritual religioso. As pessoas interessadas em participar precisam desembolsar de centenas a milhares de dólares. Tudo isso para sentir algo com uma toxina cujos efeitos mais intensos duram entre 15 e 30 minutos.

O 5-MeO-DMT é secretado pelo sapo do rio Colorado quando ele se sente ameaçado. Seu uso é bastante diverso, por exemplo, pode ser tratada para ser fumada em um cachimbo ou seca para ser consumida como cristais.

Nos EUA, a Drug Enforcement Administration, órgão de repressão aos narcóticos, considera a substância como uma droga do Anexo 1. Isso significa que ela tem um alto potencial de causar dependência e também não é aceita em muitos usos médicos, salvos raros casos de pesquisas, ou para o tratamento de determinados problemas cardíacos.

Sapo em risco

Segundo o Museu do Deserto do Arizona-Sonora, a toxina liberada pelo sapo, geralmente, entra nos animais que o ataca pelos olhos, boca ou nariz. A popularização da 5-MeO-DMT trouxe outro problema: embora lamber diretamente o animal não o mate, a sua pele pode ser vendida por suas secreções, o que os deixa mais susceptíveis de serem caçados e mortos. Aliás, tanto na Califórnia quanto no Novo México o animal já é considerado ameaçado.

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