'Tragedy by the Sea': a fotografia que comoveu uma nação

'Tragedy by the Sea': a fotografia que comoveu uma nação

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Naquela abafada manhã de sexta-feira, em 2 de abril de 1954, o fotógrafo John Gaunt, que na época trabalhava para o Los Angeles Times, estava descansando no jardim da frente de sua casa à beira mar, localizada em Hermosa Beach, na Califórnia, quando ouviu um vizinho gritar que alguma coisa estava acontecendo na praia.

Sem nem hesitar, ele se levantou correndo, buscou sua câmera Rolleiflex e se encaminhou para praia flanqueado por vários curiosos. Diante de um mar revolto, que lançava ondas furiosas, as quais quebravam como um sorvedouro, havia um casal jovem horrorizado segurando um ao outro de forma tão expressiva que causou uma profunda comoção em Gaunt. Pela linguagem corporal deles e a maneira como se entreolhavam, o homem soube que eles tinham perdido alguém naquele momento.

(Fonte: Rare Historical Photos/Reprodução)
(Fonte: Rare Historical Photos/Reprodução)

A aproximadamente 200 metros de distância, Gaunt fez a única coisa que sentia que estava ao seu alcance no momento: fotografá-los. Alguns minutos depois, ele descobriu que o jovem casal era o Sr. e a Sra. John McDonald, e que eles tinham acabado de perder o filho de 1 ano e 7 meses para a fúria do mar. Aparentemente, o garotinho estava sentado na areia quando as águas foram longe demais e carregaram a criança para dentro do mar.

E, como que arrependido, no mesmo dia e a 1 quilômetro de onde havia sido tragado, o mar devolveu o corpo já pálido e de lábios arroxeados do pequeno McDonald para o casal de pais atormentados.

O retrato que comoveu uma nação

(Fonte: Newspappers/Reprodução)
(Fonte: Newspappers/Reprodução)

Na manhã de 3 de abril daquele ano, a fotografia de Gaunt foi estampada na primeira página do Los Angeles Times e intitulada Tragedy By the Sea (“Tragédia à beira mar”, em tradução livre). O país inteiro se comoveu com o retrato, que chegou a ser matéria em vários jornais pelo mundo todo.

Em 1955, Tragedy By the Sea ganhou o Prêmio Pulitzer na categoria “Fotografia de Imprensa”. Muito embora todos tenham achado a imagem profundamente tocante, Gaunt confessou que foi difícil de suportar. Na época com 31 anos, ele tinha uma filha de 3 anos em casa e, ainda que não conhecesse o casal, ele tinha amigos que conheciam.

Em anos no jornal, Gaunt sempre foi chamado por Jack pela equipe e trabalhava como fotógrafo no turno noturno, tendo que chegar por volta das 16h e ficar até depois da meia-noite. Ele sempre teve um gosto maior por cobrir casos de incêndios e outras tragédias mais provocativas, que mostrassem as agruras do cotidiano da vida.

(Fonte: Rare Historical Photos/Reprodução)
(Fonte: Rare Historical Photos/Reprodução)

Em 2 de maio de 1955, o dia em que recebeu a notícia que tinha sido premiado com o Pulitzer, ele demorou para acreditar no que estava acontecendo. Sua reação foi falar: “Puxa vida, tenho que me sentar”. No momento, ele estava imprimindo fotos no laboratório de fotografia editorial quando o repórter Ted Sell lhe contou a novidade.

Momentos depois, o editores L.D. Hotchkiss e Lewis Bud marcharam junto de todo o departamento editorial do Los Angeles Times para cumprimentá-lo por ter feito o seu trabalho de enxergar, e não de apenas ver.

No entanto, como resposta, Gaunt apenas exclamou: “Eu estou doente por dentro”. Após a sua morte, em outubro de 2007, sua filha revelou que ele ainda se emocionava ao lembrar daquele momento tão melancólico de quando bateu a fotografia. Ele só esperava que o casal tivesse conseguido se recuperar e recomeçar a vida, apesar de tudo.

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