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O compositor Beethoven era mesmo negro? Entenda a teoria

De tempos em tempos, uma pergunta circula pelas redes sociais, a respeito de um dos maiores ícones da música mundial: Ludwig van Beethoven, o célebre compositor alemão era um homem negro? Muitos juram que, apesar de todos aqueles retratos, ele não era branco e que as suas representações refletiam o racismo sistêmico na música clássica daquela época.

A história toda começou em 1990, quando o historiador Dominique-René de Lerman, especialista em música afro-americana, publicou um artigo no Black Music Research Journal, comentando um debate sobre o assunto, ocorrido em 1907, posteriormente repercutido em diversas publicações pelo mundo inteiro.

Fonte: Wallpaper Cave/ReproduçãoFonte: Wallpaper Cave/Reprodução

Os que defendem a herança negra de Beethoven geralmente se apoiam em testemunhos de pessoas contemporâneas do compositor que o descreviam com adjetivos associados às características biológicas comuns às pessoas de ascendência africana.

Um exemplo marcante disso foi a citação de uma amiga de Beethoven chamada Frau Fisher que o descreveu como: “baixo, atarracado, ombros largos, pescoço curto, nariz redondo e pele marrom-escura”. Essa descrição foi publicada no jornal Chicago Daily Defender, em um artigo de 1969.

Por que a teoria de um Beethoven negro não se sustenta?

Fonte: Wallpaper Cave/ReproduçãoFonte: Wallpaper Cave/Reprodução

A família Beethoven, palavra que significa “horta de beterrabas” na língua flamenga, tinha ascendência nessa genealogia. Os que defendem a negritude do compositor afirmam que a mãe dele, Maria Magdalena, teria um relacionamento extraconjugal com um “mouro”, um dos habitantes do norte da África que viviam na Espanha, que na época dominava a cidade natal de Beethoven.  

No entanto, essa rede de intrigas e especulações deixa de lado uma informação básica: “essa teoria não se baseia em estudos genealógicos do passado de Beethoven, que estão disponíveis ao público”, pontua o site do Beethoven Center, da Universidade Estadual de San Jose, nos Estados Unidos.

O centro de pesquisas também fornece outro argumento irrefutável: ninguém chamou Beethoven nem de negro nem de mouro durante a sua vida, isso em uma época em que os vienenses exerciam um severo “patrulhamento” sobre mouros e mulatos, como fizeram com um dos maiores colaboradores de Beethoven: o violinista negro de origem polonesa George Bridgetower.

E o fato de não conhecermos nada sobre esse brilhante músico talvez seja, esta sim, uma importante discussão sobre a desigualdade e o racismo na história da música clássica. 

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