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Em 1930, Japão tentou viciar nações com o uso de drogas

De acordo com Antonio Maria Costa, o chefe do Escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Drogas e Crime, em 2008, o único capital de investimento líquido para alguns bancos à beira do colapso eram os bilhões de dólares que vinham das drogas. Ele afirmou que a maior parte dos US$ 352 bilhões dos lucros foram absorvidos pela economia, mostrando a influência do crime no sistema econômico em tempos de crise – além do comportamento do setor bancário nessa situações.

Analisando a linha histórica, essa não é a primeira vez que o tráfico de drogas exerce um poderio imenso sobre questões governamentais e econômicas, visto que no século XIX o Japão passou a orquestrar um império para poder financiar seu exército imperial.

Depois que as tropas militares japonesas capturaram a região da Manchúria, no nordeste da China, em 1931, durante a Segunda Guerra Mundial o exército construiu indústrias de ópio, morfina e heroína com o intuito de deixar os súditos chineses viciados e gerar lucros que seriam revertidos para movimentar a máquina da guerra.

Destruindo para reinar

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

De acordo com relatórios de governos internacionais, não foi a primeira vez que os japoneses fizeram isso. Na China, eles lançaram campanhas de relações públicas que incentivavam civis a se tornarem dependentes de drogas para que conseguissem "adestrar" a população. Os grandes chefes dos opiáceos foram nomeados para o Gabinete Imperial do Japão, competindo com o próprio Hirohito em questão de poder e relevância.

Quando os lucros do país com a venda de heroína e morfina se igualaram a todo o capital anual da China, o governo japonês aplicou-o em suas forças militares, permitindo que o país mantivesse o controle total na Ásia.

Kenji Doihara. (Fonte: Seznam/Reprodução)Kenji Doihara. (Fonte: Seznam/Reprodução)

O general Kenji Doihara foi o principal responsável pela injeção das drogas no país, começando pelos pequenos agricultores que o governo deveria subsidiar para que produzissem ópio, cujo alcatrão seria processado para se tornar morfina e heroína em laboratórios da megacorporação japonesa Mitsui, com venda destinada a todo o território japonês na forma de medicamento. Em 1937, cerca de 90% dos opiáceos ilegais do mundo eram produzidos pelos japoneses.

Com esse dinheiro, o general visava continuar sua expansão territorial pelo Pacífico, além de também diminuir o sentimento do povo chinês de resistir à invasão e ocupação, criando uma população dependente da substância. A maneira que encontrou de viciar a população foi vendendo cigarros com ópio ou até mesmo os distribuindo de maneira gratuita.

Feitiço virando contra o feiticeiro

(Fonte: Brown Alumni Magazine/Reprodução)(Fonte: Brown Alumni Magazine/Reprodução)

Em 1941, com o sucesso do comércio de drogas em um momento em que os soldados de vários países usavam os entorpecentes para atenuar os horrores da guerra e a distância entre as famílias, os líderes militares distribuíram folhetos para as tropas dizendo que as drogas eram "indignas para raças superiores como os japoneses".

(Fonte: All That's Interesting/Reprodução)(Fonte: All That's Interesting/Reprodução)

Eles esperavam que o consumo desenfreado de drogas fossem tornar os europeus, chineses e indianos escravos para sempre do governo do Japão, fazendo uso delas até que definhassem. No entanto, o Exército Imperial Japonês consumiu tanto a morfina e heroína que o governo teve que erguer hospitais para tratá-los da dependência.

Em 2 de setembro de 1945, logo que o Japão assinou a rendição que encerrou a Segunda Guerra Mundial na Ásia, o esquema de drogas do governo teve fim ao ser desmanchado e exposto para o mundo todo.

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