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Excepcionalismo americano: porque os EUA se acham o centro do mundo?

Desde o século XIX, os habitantes dos Estados Unidos sustentam a ideia de que os colonizadores americanos foram "eleitos por Deus para civilizar o seu continente", com o objetivo de expansão e de transformar o Oeste na América agrária. Esse conceito ficou definido como "Destino Manifesto", um termo cunhado pelo jornalista John O’Sullivan em 1845.

Foi a partir dele que os norte-americanos passaram a descrever o país como um "império da liberdade" e a "melhor esperança da Terra" nos últimos tempos. É improvável que ninguém nunca tenha se deparado com pessoas que encaram os Estados Unidos como um titã econômico e cultural, colocando-os em uma posição de "líderes do mundo".

Esse conceito é conhecido como "excepcionalismo americano".

Uma crença ilusória

(Fonte: Prospect Magazine/Reprodução)(Fonte: Prospect Magazine/Reprodução)

A ciência política enxerga o excepcionalismo como o pilar central de identificação nacional do povo americano, presumindo que os valores, sistema político e a história da América do Norte são dignos de admiração universal.

Para esses crentes, os Estados Unidos têm a exclusiva missão de transformar o cenário mundial, por isso eles são "quase uma nação eleita por Deus", como o próprio Abraham Lincoln gostava de declarar.

No entanto, esse retrato autocongratulatório de papel global dos EUA é, em sua maioria, um mito. Apesar de algumas qualidades únicas, a conduta da política externa dos Estados Unidos foi determinada por seu poder relativo e pela natureza competitiva da política internacional. 

(Fonte: Daily Theology/Reprodução)(Fonte: Daily Theology/Reprodução)

A partir do momento em que os americanos se agarram a essas qualidades supostamente excepcionais, como os altos níveis de religiosidade e uma cultura política que privilegia a liberdade individual, eles se cegam para o modo como o país é muito parecido com qualquer outro.

A crença dificulta os nativos a enxergarem o motivo de muitas pessoas repudiarem a nação em vários aspectos, desde a tendência a condenar a conduta dos outros até o poderio de armas nucleares, reforçando a ideia de que o país pode justificar suas falhas como um percalço ao longo de sua "jornada divina".

O debate sobre o conceito de excepcionalismo americano ainda é uma chaga aberta para os democratas dos Estados Unidos, enquanto os conservadores e neoconservadores persistem em carregar o excepcional como ideia de superioridade para apertar os laços do americanismo e a visão de que o país seria a "cidade edificada sobre uma colina", que Jesus Cristo descreveu em seu Sermão da Montanha.

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