Por que agora o McDonald's está sério e chato?

A queridinha de fast food McDonald's era, entre os anos 1980 e 1990, um dos pontos que mais atraíam crianças e jovens, se destacando por apresentar uma arquitetura convidativa, bastante divertida e mascotes que animavam as refeições. De uns tempos para cá, porém, as lojas se padronizaram com designs modernos e minimalistas, deixando de lado o aspecto de lazer para oferecer "apenas" mais uma marca de hambúrgueres e batatas fritas. Mas será que essa mudança comprometeu a identidade do restaurante?

(Fonte: Trip / Reprodução) (Fonte: Trip/Reprodução)

Segundo dados compartilhados pela Statista, em 2020 existiam cerca de 39 mil lojas McDonald's ao redor do planeta, com um aumento gradativo de unidades desde 2005. Por décadas, a marca simbolizada tradicionalmente por um "M" em amarelo e vermelho hospedou alguns dos restaurantes mais curiosos e originais já vistos, apostando na ambientação de cenários como zoológicos, aviões, castelos, temáticas futuristas e outros. A criatividade da empresa, no entanto, parece ter simplesmente desistido de oferecer essas condições e o quadro está mudando drasticamente.

Na infância, era comum fazer festas de aniversário e chamar os amigos para comer cheeseburguer e tomar sorvete, aproveitando parquinhos com escorregadores, pula-pula, castelo inflável e, logicamente, a companhia inesquecível das mascotes do McDonald's. Agora as lojas são utilizadas, na maioria das vezes, para lanches rápidos durante intervalos de expedientes ou via drive-thru, sugerindo um ambiente pouco convidativo que se atém firmemente ao propósito comercial em vez do entretenimento.

“O pensamento original de restaurantes como o McDonald's era visar um público familiar, para que você pudesse obter clientes para o resto da vida”, disse o chef Mark Moelle ao Vox. “Nos últimos anos, eles decidiram se tornar mais adultos, com linhas e cores simples que vão agradar a você enquanto está comendo. Chega daquelas cadeiras duras que são projetadas para fazer as pessoas ficarem de pé. Hoje eles tentam tornar a lanchonete confortável para que adultos mais velhos, de 30 a 60 anos, possam entrar e se sentir confortáveis saboreando o fast food com o qual cresceram, mas em um ambiente mais sério e acolhedor.”

Uniformidade é tendência moderna?

Segundo Moelle, a mudança conceitual do McDonald's exalta um grande dilema das tradicionais redes de fast food, que estão em dúvida sobre qual público devem atrair. Com isso, o sacrifício da identidade visual, especialmente, veio como um elemento incontrolável à medida que a marca se submetia a uma homogeneização que visava manter a logo da marca, a fachada com iluminação exposta, contornos quadrados e cores pasteis, além das mesas retangulares com bases de aço e um balcão na entrada.

O que antes se destacava por um espaço diverso com muitas possibilidades de acomodação e diversão, tornou-se um ambiente mecânico e previsível, que busca atrair clientes pelos produtos disponíveis no cardápio e pelas promoções sazonais, inspiradas em conteúdos da cultura popular, descontos nos itens mais procurados, e campanhas voltadas para a realização de ações sociais.

(Fonte: McDonald's / Reprodução)(Fonte: McDonald's/Reprodução)

"Amamos muito esses locais únicos e criativos do McDonald's ao redor do mundo e a sensação de nostalgia que eles trazem. Ao mesmo tempo, estamos constantemente nos modernizando e inovando nossos restaurantes por meio de novos itens de menu, inovações tecnológicas e digitais, para oferecer aos nossos fãs a melhor experiência possível quando e onde quer que eles visitem", afirmou a empresa, em comunicado. "E como temos feito nos últimos 66 anos, continuaremos a trabalhar em estreita colaboração com designers para criar ambientes de marca exclusivos do McDonald's para os fãs de todo o mundo."

De fato, é possível afirmar que o McDonald's hoje atrai consumidores mais pela nostalgia do que pela comodidade e pela qualidade. 

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