Pocahontas: a história real que a Disney não contou

No filme Pocahontas (1995), a Disney conta a história de uma mulher da tribo dos Powhatan que lutou para trazer paz entre seus iguais e os colonos britânicos que chegavam aos Estados Unidos nos anos 1600. A animação, no entanto, foi muito criticada na época de lançamento por sua imprecisão histórica.

Afinal, quem realmente era Pocahontas? Por que ela se tornou famosa? Como distinguir a pessoa verdadeira de todos os mitos criados sobre ela? Pensando nisso, nós preparamos um artigo para você se aprofundar na verdade nua e crua sobre o que aconteceu naquela época.

Primeiros anos de Pocahontas

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Nascida por volta de 1596, Pocahontas era considerada a filha favorita do Cacique dos Powhatan — o líder de uma das maiores tribos localizadas no estado da Virgínia. Porém, esse não era verdadeiramente o seu nome. Segundo os registros históricos, a jovem moça era chamada de Amonute, também sendo referida como Matoaka para os mais próximos.

Pocahontas nada mais era do que um apelido para Matoaka, significando "brincalhona". De qualquer forma, foi assim que ela acabou sendo chamada para o resto de sua vida. Ainda jovem, raspou quase todo o seu cabelo, visto que apenas mulheres adultas poderiam ter madeixas longas entre os Powhatan.

Também foi nessa idade que ela aprendeu a cozinhar, confeccionar cestos e cuidar de fogueiras. Porém, tudo mudaria por volta de 1607, quando 100 colonizadores ingleses desembarcaram na Virgínia para se estabelecer em Jamestown. Um desses homens era chamado de Capitão John Smith

Embora Smith tenha sido citado como interesse amoroso no filme na Disney, não há qualquer indício histórico de que Pocahontas tenha se envolvido com ele. Na verdade, ela tinha somente 11 anos quando o conheceu. Mesmo assim, foram as histórias que o colono contou a seu respeito que a tornou famosa entre os ingleses.

Pocahontas e o capitão inglês

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Na narrativa de Smith, ele havia sido capturado pelos Powhatan e ameaçado de morte, mas a corajosa filha do cacique teria intervindo para salvá-lo no último instante. Entretanto, os relatos do inglês acabaram se tornando conflitantes com o passar dos anos. Em 1608, o próprio Smith reconheceu só ter conhecido Pocahontas meses após interagir com o restante da tribo.

Matoaka só foi aparecer como heroína da história anos depois, quando o colono escreveu uma carta para a Rainha Ana da Grã-Bretanha, dramatizando seus feitos. De todo modo, a palavra se espalhou e Pocahontas foi se tornando cada vez mais famosa entre os britânicos. 

Sequestro e cativeiro

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

O evento mais importante da vida de Pocahontas não foi salvar John Smith, mas ser sequestrada pelos colonos ingleses em determinado momento da sua vida. Se a relação com os forasteiros tinha se tornado amistosa com o passar dos anos, os Powhatans passaram a se incomodar quando a demanda por suprimentos tornou-se cada vez maior por parte do outro grupo.

Mesmo casada e possivelmente com filhos, Matoaka ainda era vista como a filha favorita do cacique e foi considerada como valiosa moeda de troca pelos britânicos em 1613. Então, o capitão Samuel Argall planejou sequestrá-la e mantê-la em cativeiro até que a tribo inimiga contribuísse com os produtos requisitados. 

Ela ficou como prisioneira por um ano. Neste período, aprendeu sobre os costumes ingleses e crenças, também sendo ensinada a falar inglês. Em 1614, ela acabou se convertendo ao cristianismo e passou a ser chamada de Rebecca. Um ano depois, casou-se outra vez com um colono chamado John Rolfe. 

Visita à Inglaterra

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

A conversão de Pocahontas foi vista como uma grande vitória para os ingleses. O nome Rebecca Rolfe foi usado para tentar incentivar mais colonos a viajarem para o estado da Virgínia. Entretanto, o sequestro da jovem Matoaka foi visto de maneira diferente pelos Powhatans.

Segundo as tradições orais da tribo, Pocahontas sofreu um colapso mental e até disse à irmã que havia sido estuprada durante o cativeiro. Além disso, o papo de casamento e conversão só teria seguido em frente porque ela não teria tido outras opções para viver.

Em algum ponto da história, ela acabou tendo um filho chamado Thomas Rolfe. Sabe-se também que ela viajou para a Grã-Bretanha em 1616 para conhecer a rainha. A viagem tinha como objetivo mostrá-la ao mundo como uma "selvagem domesticada". No caminho de volta para os Estados Unidos, Pocahontas acabou adoecendo e não resistiu, falecendo aos 21 anos.


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