Enem: o que a prova significa para a população mais pobre do país?

Em 28 de novembro será realizado o segundo dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O exame tem como objetivo ajudar os brasileiros a terem acesso a uma vaga em faculdades e universidades por meio de programas como Sisu, ProUni e Fies. Além disso, a prova é usada como porta de entrada para muitas universidades federais, substituindo o vestibular.

No entanto, o que algumas pessoas nem sempre percebem é que o Enem pode ser uma forma de garantir mobilidade social, ajudando o Brasil a vencer um de seus problemas mais crônicos: a desigualdade social.

Quantos salários-mínimos custa sua mensalidade?

Em 2004, o Governo Federal criou o Programa Universidade Para Todos (ProUni), que garante bolsa de estudos a alunos vindos da escola pública e pode custear o valor das mensalidades parcialmente (50%) ou integralmente (100%).

Para conseguir uma, o estudante precisa concorrer com outros alunos interessados no mesmo curso, usando a nota do Enem como critério de seleção. As faculdades e universidades que aderem ao programa recebem isenção de impostos, então esse é o principal incentivo financeiro concedido a elas.

Se você fizer uma pesquisa rápida na internet, descobrirá que as mensalidades cobradas pelas melhores instituições privadas superam o valor de R$ 1 mil. Um levantamento do Guia do Estudante revela que a média de preços para o curso de Medicina era de R$ 5.929 em 2017 — no mesmo ano, o salário mínimo era R$ 937.

Diante disso, não precisa ser um gênio da matemática para descobrir que as chances de um aluno talentoso e esforçado da periferia cursar Medicina é baixa, fazendo com que esse curso permaneça restrito às elites econômicas — e esse é apenas um exemplo.

Universidades federais não são de graça?

Talvez você esteja se questionando: se as pessoas não têm dinheiro para pagar uma universidade privada, por que não se esforçam para entrar em uma pública?

A questão aí é a competição nada igualitária. O processo de seleção para muitas universidades públicas é feito pelo vestibular. Dessa forma, as escolas particulares e cursos preparatórios se esforçam ao máximo para que seus clientes tenham o melhor ensino possível, pois quanto mais alunos aprovados eles tiverem, mais se destacam e mais clientes conquistam.

Nas escolas particulares, os estudantes não precisam se preocupar com problemas como violência, tráfico de drogas, falta de professores, infraestrutura inadequada etc.

Um levantamento do Comitê Técnico do Instituto Rui Barbosa mostra que quase 10 milhões de alunos de escolas públicas brasileiras estudam em locais sem infraestrutura básica, como eletricidade.

Nesse sentido, o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) representa um avanço em relação ao vestibular, pois garante cotas a alunos vindos de escolas públicas, fazendo com que esses estudantes disputem vagas apenas com pessoas de origem social semelhante.

Não dá para financiar a faculdade?

Dívida estudantil dos EUA supera a marca de US$ 1 trilhãoDívida estudantil dos EUA supera a marca de US$ 1 trilhão.

O financiamento estudantil é uma possibilidade para custear os estudos. Contudo, as dívidas dessa modalidade de empréstimo podem se tornar um problema até em países ricos, como os Estados Unidos.

Lá, o valor total das dívidas dos estudantes americanos com o financiamento estudantil chegou a US$ 1,7 trilhão em 2021. Aqui no Brasil, o saldo da inadimplência com o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies) chegou a R$ 6,6 bilhões em 2021.

Assim como o ProUni, o Sisu e o Fies também exigem dos estudantes uma boa nota no Enem.

Quem quer ser cientista?

Você reparou que neste texto separamos faculdades de universidades? Você sabe qual é a diferença entre elas? De forma resumida: universidade desenvolve pesquisa científica. É por isso que, quando facilita o acesso de estudantes às universidades, o país está investindo em pesquisas que beneficiarão à sociedade como um todo.

Entendeu por que a moça chorou ao se atrasar?

No primeiro dia de provas do Enem, uma estudante chorou ao se atrasar e perder o acesso ao local de provas. Segundo ela, o atraso ocorreu porque estava amamentando o filho. Por se tratar de um importante meio para entrar no ensino superior, podendo aumentar seu salário e construir uma carreira profissional, as lágrimas da estudante podem ser compreendidas.

Você sabia que o Mega Curioso está no Instagram, Facebook e no Twitter? Siga-nos por lá.