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A história dos efeitos especiais na era do cinema mudo

É difícil imaginar o cinema contemporâneo sem efeitos especiais. Mas já parou para pensar que o cinema como o conhecemos viveu outras realidades? Não apenas um cenário de filmes sem falas, conhecido como cinema mudo, mas uma fase em que os efeitos especiais eram, digamos, mais rústicos.

E é para te contar um pouco a respeito desta época e de como eram feitos os efeitos especiais em uma época de tecnologia engatinhando que estamos aqui. Acompanhe-nos nessa jornada.

Na falta de tela verde e CGI, muita criatividade

(Fonte: Twisted Sifter)(Fonte: Twisted Sifter)

Sem contar com a tecnologia oferecida pelo CGI ou com o uso do chroma key, o cinema mudo usava e abusava da criatividade dos diretores dos filmes. Polias, contrapesos, hélices de avião, vidros pintados, até coisas "mais simples" como truques de perspectiva para criar ilusões de ótica.

Claro, algumas cenas envolviam um certo nível de realidade, o que, por vezes, causava acidentes aqui e acolá. Posicionar pinturas realistas com enquadramentos específicos também era uma estratégia muito utilizada. Aliás, nas décadas de 1920 e 1930, o truque de perspectiva foi uma das técnicas mais utilizadas no cinema, como em Tempos Modernos, clássico de Charlie Chaplin.

Outro longa-metragem clássico que fez uso fantástico dos truques de perspectiva foi O Homem Mosca, de 1923. Na cena em que Harold Lloyd está pendurado no relógio da torre, o ator está a poucos metros de um colchão, com a cena sendo filmada no alto de um prédio. Com a colocação da câmera em uma certa altura e um ângulo específico, o público tem a percepção de que a cena é, realmente, perigosíssima. Haja criatividade, hein?

Vidros pretos e ajuste de luz

(Fonte: Buzzfeed/Reprodução)(Fonte: Buzzfeed/Reprodução)

Não fique pensando que ajustes na altura de câmera ou pinturas era a única técnica de efeito especial empregada naquela época. Quer um exemplo? Em O Prêmio de Beleza, a cena em que Colleen Moore aparece revirando os olhos para lados opostos, ela precisou ser filmada mais de uma vez.

Fizeram da seguinte forma: um vidro preto foi colocado na lente da câmera, enquanto a primeira versão foi filmada; na sequência, o vidro era trocado de lugar na filmadora, a película rebobinada até o ponto e o trecho gravado de novo. Complicado? Calma, havia uma outra maneira relativamente simples, feita usando uma técnica no ajuste de cores do filtro da filmadora.

Uma obra que fez uso de tal técnica foi o clássico Ben-Hur, de 1925. O fotógrafo Karl Struss desenvolveu um método em que, em um dos ajustes da câmera, a maquiagem utilizada nos atores não era captada, ao passo que no momento propício o ajuste tornava visível, criando um contraste impressionante na cena em que Jesus cura duas mulheres leprosas.

Matte Painting: do cinema mudo ao contemporâneo

(Fonte: DigArt DigMedia)(Fonte: DigArt DigMedia)

Pensa que o cinema mudo ficou no século passado? Errou feio, errou rude. Uma técnica de efeito especial utilizada desde o início do século XX persiste até os dias atuais. O matte painting consiste em uma pintura manual de cenários a fim de criar a ilusão da existência de um ambiente irreal. Ela foi emprestada da fotografia do século XIX, chegando ao cinema em Un Homme de Têtes, de 1898.

Talvez você não conheça esse longa-metragem, mas imagino que Star Wars: Episódio IV - Uma Nova Esperança você pode ter assistido. A técnica de matte painting foi utilizada com intervenção do artista Christopher Evans, que pintou à mão, em um vidro chamado peliglass, muitas das principais cenas. Muito antigo para você? Bem, a técnica foi usada em Titanic, em 1997.

Fosse eu, corria procurar uma forma de assistir aos filmes aqui citados para prestar atenção nas técnicas precursoras dos super efeitos especiais dos seus filmes favoritos. Que tal?

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