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Por que a arte erótica era tão popular na antiga Pompeia?

Durante o século XIX, os arqueólogos encarregados pelas escavações feitas em Pompeia e Herculano, antigas cidades do Império Romano, foram pegos de surpresa: era possível encontrar resquícios de arte erótica por todas as partes por onde olhavam — incluindo pinturas de casais copulando e estátuas de deuses pelados.

As figuras foram consideradas tão explicitas e obscenas pelas autoridades da época que o Museu Arqueológico Nacional de Nápoles decidiu escondê-las em uma sala secreta para que somente pessoas autorizadas pudessem visitá-las. Mas qual o motivo dos habitantes de Pompeia serem tão obcecados pela arte erótica? Entenda mais nos próximos parágrafos.

Nova exposição

(Fonte: Parque Arqueológico de Pompeia/Reprodução)(Fonte: Parque Arqueológico de Pompeia/Reprodução)

Após muito tempo, o acervo escondido de Pompeia voltou a ser revelado. Uma nova exposição do Parque Arqueológico de Pompeia intitulada "Arte e Sensualidade nas Casas de Pompeia" passou a expor todas as obras escondidas na sala secreta e outras imagens sensuais desenterradas na cidade antiga para demonstrar a importância desse tempo na antiga sociedade romana.

A atração principal do show é a pintura do mito de Leda e o cisne — que posteriormente inspirou artistas como Leonardo Da Vinci e Miguel Ângelo. Descoberta em 2018, a obra mostra o momento em que o deus Zeus, disfarçado de cisne, força uma relação sexual com Leda, rainha de Esparta. Reza a lenda que Leda colocaria dois ovos mais tarde, de onde nasceriam Pollux e Helen.

Essa é apenas uma das 70 obras apresentadas na exposição, que possui um guia de contextualização para os visitantes. Em entrevista ao London Times, o diretor do parque arqueológico, Gabriel Zuchtriegel, afirmou que muito da arte erótica romana existiu graças à influência dos gregos, que destacavam a nudez pesada em sua arte.

Significado da nudez

(Fonte: Parque Arqueológico de Pompeia/Reprodução)(Fonte: Parque Arqueológico de Pompeia/Reprodução)

A cidade de Pompeia existiu em uma época onde o sexo e a nudez faziam parte de uma cultura maior. Com o Império Romano sendo seguidor do politeísmo — não o cristianismo que estamos acostumados — o prazer sexual era motivo de celebração e inclusive era visto como motivo de orgulho pelos próprios deuses.

No passado, os gregos nunca abordaram a nudez como motivo de vergonha. Na realidade, isso representava muito mais um símbolo de fertilidade do que qualquer outra coisa, algo que era tido como um tema central na religião grega. Esse modo de interpretar o erotismo, inclusive, foi o motivo pelo qual as obras encontradas em Pompeia ficaram escondidas por muito tempo.

Por volta de 79 d.C., quando o Monte Vesúvio entrou em erupção e trouxe um fim abrupto à cidade, o cristianismo estava começando a se firmar pelo Império Romano e com isso houve uma grave mudança na forma como as pessoas enxergavam o sexo. Na concepção dos cristãos, o erotismo era obsceno e vergonhoso, fazendo com que os arqueólogos do século XIX escavassem a cidade para esconder tais artefatos do público geral. Logo, podemos assumir que nem sempre os romanos acreditaram que o sexo devia ser um assunto mantido dentro das quatro paredes.

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