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Por que é tão difícil fazer construções em Roma?

Há um ditado que diz que "Roma não foi construída em um dia" — ou seja, que grandes feitos levam tempo para serem conquistados. Isso faz sentido também de forma literal, que já que a cidade tem milhares de anos de história, atraindo turistas do mundo todo para conhecer a sua arquitetura única no mundo.

Mas a mesma arquitetura histórica que enche os olhos do mundo inteiro pode dificultar novas construções. Isso porque qualquer obra demanda estudos cuidadosos para evitar riscos aos prédios antigos — que, muitas vezes, precisam ser reforçados até que a construção continue.

Mas o cuidado não é apenas com as igrejas, castelos, piazzas e obras de arte que ficam acima da terra. Também há bastante coisa enterrada. O que complica muito mais a situação. Talvez o caso mais emblemático disso seja a linha C do Metrô de Roma.

O Coliseu é apenas uma das muitas maravilhas arquitetônicas de Roma (Imagem: Wikimedia Commons)O Coliseu é apenas uma das muitas maravilhas arquitetônicas de Roma (Imagem: Wikimedia Commons)

As "arqueoestações" do Metrô de Roma

A terceira linha de metrô da capital italiana era esperada para o Jubileu da Igreja Católica, no longínquo ano de 2000. Mas as escavações começaram mesmo em 2006 e a primeira parte da linha começou a funcionar em 2014. A primeira parte...

Em 2007, durante estudos para implantar uma estação na Piazza Veneza, foram descobertas ruínas da lendária escola Athenaeum, do imperador Adriano (século I d.C.). Assim, a estação acabou sendo transferida para preservar o sítio arqueológico.

Um tempo depois, o projeto de uma estação no Largo di Torre Argentina foi descartado, pois se descobriu que lá estava o teatro onde César foi assassinado. Então, ele será transformado em museu ao céu aberto. Até tu, Brutus...

Além desses casos, houve várias outras ocasiões em que as obras do metrô precisaram ficar paradas para que os arqueólogos estudassem o local. 

A mais recente inauguração da linha C do Metrô de Roma aconteceu em 2018, com a estação San Giovanni. Ela é chamada de arqueoestação, já que as autoridades resolveram mudar seu projeto para incluir o sítio arqueológico no metrô. Ela expõe milhares de peças — joias, louças, obras de arte, ruínas de construções... — encontradas nas obras. 

A próxima estação, Amba Aradam, começou a ser construída em 2013. Três anos depois, em 2016, foram descobertos barracões que teriam sido usados pela guarda pretoriana do Império Romano, além da possível residência de um comandante. 

O projeto também foi alterado para incluir o patrimônio histórico no Metrô. Mas as obras, que também sofreram com a pandemia, só devem terminar em 2024.

A A "arqueoestação" San Giovanni foi reprojetada ao redor do sítio arqueológico e exibe milhares de artefatos (Imagem: Wikimedia Commons)

Mas como isso tudo foi parar lá embaixo?

Um artigo da revista científica Discovery resume a situação: os imperadores romanos faziam grandes obras, mas preferiam jogar terra, nivelar o solo e construir por cima do que demolir prédios já existentes. Assim, muito da história de Roma acabou debaixo da terra.

Isso não é um grande problema para o metrô e seus trilhos, que podem ser construídos em níveis mais profundos. Mas, de qualquer maneira, é preciso criar tubos de ventilação, pátios, corredores e escadas que se conectam à superfície — e invadem os sítios arqueológicos.

Mas nem sempre a Itália se importou em preservar esses pedaços tão importantes de história. Quando o ditador Benito Mussolini comandou a construção da primeira linha, nos anos 1930, muita coisa foi simplesmente destruída pelos trabalhadores na obra. Esse acontecimento foi retratado, de forma metafórica, pelo famoso diretor de cinema Federico Fellini. 

É claro que, por mais que a preservação seja necessária, é necessário encontrar maneiras de construir em Roma – afinal, ela é uma metrópole de três milhões de habitantes. Por isso, suas autoridades costumam fazer escavações preliminares para evitar surpresas durante as obras e mudam os projetos para incluir os sítios arqueológicos, como nas "arqueoestações".

A ideia é que as estações do Metrô de Roma se tornem atrações turísticas por si só. 

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