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Os 4 insultos mais icônicos das peças de Shakespeare

William Shakespeare é uma das personalidades mais importantes da história inglesa. Durante sua vida, ele conseguiu criar peças de teatro extremamente populares entre todas as castas, dos mais pobres à monarquia, e que se mantém relevantes até hoje — mais de quatro séculos após sua morte!

Suas peças também possuíam cenas memoráveis repletas de momentos de humor. E para atingir este último ponto, o dramaturgo fazia uso de ofensas inusitadas entre os personagens. Abaixo, você pode conferir quatro delas, todas presentes em tragédias, mostrando um pouco da versatilidade de Shakespeare.

1. “És um inchaço, uma úlcera pestosa, um carbúnculo podre e tumefeito no meu sangue corrupto” — Rei Lear (Ato 2, Cena 4)

(Fonte: Getty Images)(Fonte: Getty Images)

Começando por uma das obras mais importantes de Shakespeare, a cena acontece quando Rei Lear, o protagonista da peça, está discutindo com suas duas filhas mais velhas, Goneril e Regan. Ele pretendia passar o resto de seus dias com elas, mas seus 100 cavaleiros são considerados hóspedes indesejados. Goneril pede para que ele dispense metade dos cavaleiros, caso contrário não será bem-vindo. 

É nesse momento que Lear diz que prefere deixar as terras da filha para sempre a ter que se livrar de seus cavaleiros. Porém, antes de partir, o protagonista a insulta de forma que a filha nunca se esqueça que, além das terras, herdará tudo o que há de mais desagradável nele.

2. “... pele de duende, língua defumada de vaca, pênis seco de boi, bacalhau seco!” — Henrique IV, Parte 1 (Ato 2, Cena 4)

(Fonte: Getty Images)(Fonte: Getty Images)

Em outra peça importante de Shakespeare, há uma das trocas de ofensas mais engraçadas que ele criou. Ela acontece entre o Príncipe Hal e Sir John Falstaff, quando este último começa a se vangloriar exageradamente. Hal, cansado da fanfarronice, começa a zombar Falstaff por seu tamanho, chamando ele de “entorta-camas” e “montão de carne”.

Em resposta, Falstaff começa a ofender Hal por ser magro demais. No original, Shakespeare utilizou nome de alguns alimentos ressecados como “bull’s pizzle” (pênis seco de touro) e “stockfish” (peixe seco, normalmente usado para fazer bacalhau). Ele também usou “Elfskin”, que aparece como “pele de duende” em várias traduções, mas alguns estudiosos acreditam que Shakespeare se referia a “eel-skin” (pele de enguia).

3. “… vossas barbas [não merecem] túmulo mais honroso do que servir de enchimento de travesseiro” — Coriolano (Ato 2, Cena 1)

(Fonte: Getty Images)(Fonte: Getty Images)

Coriolano é uma obra sobre o general romano Caio Márcio, que após ter conquistado a cidade de Corioli, recebeu o apelido que também dá nome à peça. Em determinado momento, Menênio, um nobre romano, está discutindo com Sicínio e Júnio, ambos políticos eleitos pelo povo.

Segundo Menênio, os dois não são qualificados o suficiente para os cargos que ocupam. O nobre ainda afirma que eles só se tornaram políticos para receberem mais atenção. Em uma das discussões, Menênio os trata como pessoas tão insignificantes, que nem mesmo as barbas deles mereceriam um destino honroso — uma maneira verdadeiramente inspirada de dizer “vocês são completamente inúteis”.

4. “Filho de um cão sarnento!” — Timão de Atenas (Ato 4, Cena 3)

(Fonte: Getty Images)(Fonte: Getty Images)

Embora seja menos conhecida que as demais, Timão de Atenas é considerada uma das peças mais complexas de Shakespeare. Ela narra a vida de Timão, um grego rico que perde seu dinheiro por ser generoso demais. Ao perceber que nenhum de seus amigos irá ajudá-lo no momento de dificuldade, Timão se refugia em uma caverna.

É lá que Apemanto — um filósofo e única pessoa que recusa o dinheiro de Timão — tem uma discussão com o protagonista da peça. Cansado das ofensas, Timão retruca chamando Apemanto de “Filho de um cão sarnento!” — que é a versão de Shakespeare para “Seu filho da p***”.

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