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Leonardo da Vinci era um procrastinador nato?

A capacidade de cumprir prazos com um resultado satisfatório é uma pedra no sapato na vida profissional do mundo moderno e também uma necessidade. Contudo, existe um grande inimigo para esta meta: a procrastinação. O ato de deixar para depois suas obrigações é algo que afeta muitos profissionais e atinge diretamente alguns trabalhadores com dificuldades de atenção.

Mas mesmo que a procrastinação pareça um problema do nosso século, há quem diga que ela já existia há muito tempo no mundo. E um exemplo disso seria Leonardo da Vinci, o gênio artístico italiano, mas que possuía um método de trabalho muito distante dos moldes contemporâneos. Para alguns pesquisadores, ele dava claros indícios de sofrer de um distúrbio de atenção comum à sociedade moderna.

Da Vinci e a procrastinação

(Fonte: GettyImages)(Fonte: GettyImages)

Em entrevista à Reuters, o professor de psiquiatria Marco Catani, do King's College, acredita que o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) explica tanto a procrastinação crônica de Da Vinci quanto seu impulso criativo nas artes e nas ciências. O artista italiano era conhecido por deixar trabalhos inacabados com certa frequência.

"Estou confiante de que o TDAH é a hipótese mais convincente e cientificamente plausível para explicar a dificuldade de Leonardo em terminar seus trabalhos", disse ele em um artigo científico na revista científica BRAIN. Até mesmo a obra mais famosa do pintor, o retrato da Mona Lisa, não estava totalmente concluída.

Sendo mais comumente reconhecido em crianças, o TDAH está sendo cada vez mais diagnosticado em adultos, incluindo pessoas com carreiras de sucesso. Os principais sintomas incluem incapacidade de concluir tarefas, divagação mental e inquietação física e mental. Em sua pesquisa, Catani disse que os registros históricos mostram que as dificuldades de Da Vinci para cumprir as tarefas eram generalizadas desde a infância.

Diagnóstico complexo

(Fonte: GettyImages)(Fonte: GettyImages)

Relatos de biógrafos e contemporâneos mostram que o gênio renascentista estava sempre em constante movimento, muitas vezes pulando de tarefa em tarefa. Assim como muitas pessoas com TDAH, Da Vinci dormia muito pouco e muitas vezes trabalhava continuamente noite e dia. Segundo a análise do especialista em TDAH, anatomia cerebral e ciência da Renascença, o pintor gastava "tempo excessivo planejando projetos", mas lhe faltava perseverança.

De acordo com Catani, relatos históricos também mostram que Leonardo da Vinci era canhoto e provavelmente tinha outras duas características de pessoas com transtorno de déficit de atenção: dislexia e domínio linguístico no lado direito do cérebro. Em seu contato com a imprensa, o pesquisador lamentou os constantes equívocos de que as pessoas com TDAH são geralmente crianças perturbadas, de baixa inteligência e "destinadas a uma vida turbulenta".

Catani destacou que Da Vinci era uma pessoa que se considerava alguém que fracassou na vida — algo inacreditável considerando sua fama atual. “Espero que (este caso) mostre que o TDAH não está ligado ao baixo QI ou à falta de criatividade, mas sim à dificuldade de capitalizar talentos naturais”, concluiu o pesquisador.

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