Sarcófago mantido em museu há 150 anos guardava uma múmia — e ninguém sabia
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Sarcófago mantido em museu há 150 anos guardava uma múmia — e ninguém sabia

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Pense na surpresa de um time de arqueólogos que decidiu dar uma fuçada em um sarcófago tido como vazio há mais de um século e descobriu que o caixão não estava vazio coisa nenhuma! De acordo com Michelle Starr, do site Science Alert, o caso aconteceu na Austrália e o que os cientistas encontraram foram os restos de uma múmia egípcia de 2,5 mil anos — que estava ali, curtindo seu descanso eterno de boas.

Longa história

A história do sarcófago é a seguinte: originalmente, ele foi adquirido no Egito por um tal Sir Charles Nicholson — um explorador, político e filantropo britânico que passou boa parte da vida na Austrália. Esse homem reuniu uma bela coleção de artefatos ao longo da vida e foi também um dos fundadores da Universidade de Sydney, em 1850. Então, em 1860, ele doou o caixão egípcio, juntamente com uma porção de outros objetos, para o museu da universidade — onde a relíquia fazia parte de uma exibição.

Sarcófago cheio de detritosO interior do sarcófago (Science Alert/Nicholson Museum)

De acordo com os registros do museu, um professor de arqueologia da instituição chamado Dale Trendall fez um manual relacionando os artefatos existentes no museu em 1948 e, por alguma razão — será que rolou uma preguiça? —, listou o sarcófago como vazio. O banco de dados do local até informava que o artefato continha detritos, mas, até agora, ninguém tinha se dado ao trabalho de analisar seriamente o conteúdo da relíquia. E... surpresa!

Fragmentos de antiga múmiaFragmentos da antiga múmia (ABC News/Natalia Morawski)

Segundo Michelle, o sarcófago está rodando pelo museu quase 160 anos e fazia pelo menos 20 que ele não era aberto. Então, o time de arqueólogos liderados por Jamie Fraser decidiu dar uma investigada no conteúdo do artefato e descobriu que entre os detritos havia ossos humanos, faixas e fragmentos de um tipo de cerâmica chamado faiança e restos da resina que os mumificadores aplicaram sobre o antigo ocupante do sarcófago.

Os hieróglifos presentes na parte superior do sarcófago indicam que ele pertencia a uma mulher chamada Mer-Neith-it-es que foi sacerdotisa do templo dedicado à deusa Sekhmet — a divindade da medicina e da vingança dos antigos egípcios e que era retratada como uma mulher com cabeça de leoa — por volta dos anos de 664 e 535 a.C., mais ou menos.

Sarcófago contendo múmiaAinda bem que resolveram fuçar no sarcófago (ABC News/Natalia Morawski)

É impossível dizer se os ossos e demais fragmentos contidos no sarcófago são mesmo da sacerdotisa, uma vez que quem quer que tenha vendido a relíquia a Nicholson no Egito pode ter colocado qualquer múmia lá dentro. Mas tampouco se pode descartar a possibilidade completamente.

O que foi descoberto até agora?

Os arqueólogos submeteram o sarcófago a uma tomografia e conseguiram identificar um par de tornozelos, pés e os dedos, sugerindo que ele guarda os restos mortais de apenas uma pessoa. Além disso, analisando a morfologia de alguns dos ossos, os cientistas acreditam que o ocupante do artefato tinha, pelos menos, 30 anos de idade quando morreu.

Tomografia computadorizadaOlha os dedinhos ali (Science Alert/Macquarie Medical Imaging)

O exame também revelou que parte da resina encontrada no interior do sarcófago foi aplicada sobre o corpo depois de o cérebro ser removido do crânio pelos mumificadores — e o mais legal é que ela é semelhante ao material usado na mumificação de Tutankhamun. De momento foi isso o que os arqueólogos conseguiram descobrir, mas eles vão continuar com os levantamentos e devem vasculhar cada fragmento e detrito encontrado no interior do sarcófago e examinar cada ossinho para ver o que mais eles encontram.

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