Estudo indica potencial alvo para o tratamento do coronavírus

Estudo indica potencial alvo para o tratamento do coronavírus

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Cientistas da Unesp, em parceria com a Fapesp, identificaram o possível alvo potencial para o tratamento do coronavírus no Brasil. Segundo relatado em estudo publicado na plataforma bioRxiv, os casos graves envolvendo o aumento de fatalidades entre idosos com mais de 60 anos podem estar relacionados diretamente com o gene TRIB3, localizado no tecido epitelial pulmonar, que está tendo suas atividades diminuídas nos órgãos de tais pacientes.

Coordenado pelo professor Robson Carvalho, do Instituto de Biociências (IBB), o projeto, que utiliza dados de pesquisas anteriores sobre o estudo de caquexia em pacientes com câncer de pulmão, relata que o TRIB3 é responsável pela produção de proteínas que interagem diretamente com as proteínas virais, podendo chegar a inibir a infecção e a replicação de vírus semelhantes ao SARS-CoV-2. Dessa forma, com a diminuição de sua atividade em idosos, a tendência é a alteração comportamental do vírus, que torna-se mais agressivo.

“Dado que a TRIB3 foi anteriormente relatada como capaz de diminuir a infecção e a replicação de outros vírus, a diminuição da expressão de TRIB3 nos pulmões durante o envelhecimento pode ajudar a explicar por que pacientes idosos do sexo masculino estão relacionados a casos mais graves da Covid-19. Dessa forma, medicamentos que estimulem a expressão da TRIB3 devem ser avaliados como um tratamento potencial para a doença”, relata o artigo.

(Fonte: IRF/Reprodução)(Fonte: IRF/Reprodução)

O trabalho, iniciado há cerca de um ano e somente em março foi redirecionado para o tratamento do coronavírus, utilizou dados de sequenciamento de RNA de 427 amostras pulmonares e, através da análise do conjunto de moléculas de RNAs, determinantes na atividade genética local, demonstrou resultados interessantes em pacientes de 20 a 79 anos, provando que as proteínas do TRIB3 têm alta probabilidade de interação com as do SARS-CoV-2.

A análise, que apresentou dados que curiosamente não ocorrem em mulheres, indica uma propensão ao surgimento e agravamento de doenças respiratórias em homens ao longo dos anos, tornando-os alvo imediato para uma ação mais agressiva do coronavírus.

Enquanto na Europa já se iniciaram os tratamentos em pacientes com câncer de endométrio, permitindo o aumento da atividade do gene pulmonar, no Brasil os ensaios vêm dando seus primeiros passos e podem trazer notícias satisfatórias, indicando que o ciclo biológico do vírus pode ter sido inibido.

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