Remédio radioativo desintegrou a mandíbula e os ossos de atleta

Com a promessa de aliviar os problemas causados pela nicotina, os remédios radioativos foram uma verdadeira febre na primeira metade do século XX, especialmente para os excêntricos que levavam um estilo de vida repleto de extravagâncias. Porém, seus efeitos a longo prazo podem ser catastróficos, e o que aconteceu com o rico socialite americano Eben Byers foi a prova de até onde o vício e o potencial de um medicamento bizarro podem alcançar.

Ebenezer McBurney Byers foi uma notável personalidade norte-americana vista com bons olhos pela comunidade dos atletas, especialmente após vencer o campeonato nacional amador de golfe em 1906. O rapaz levava uma vida movimentada e era conhecido por ter uma libido excessivamente alta, regada pelo lucro e fama obtida como resultado da herança da empresa familiar Girard Iron Company, da qual se tornou presidente.

Quando um acidente em uma locomotiva resultou no deslocamento de seu braço e na brusca interrupção em seu estilo de vida, algo que comprometeu de vez sua carreira como atleta, Byers foi encaminhado a um médico para realizar uma avaliação completa, e foi aí que conheceu o remédio Radithor, produzido pelo farmacêutico William J.A. Bailey, que prometia pagamentos em dinheiro para cada clínica que receitasse o medicamento.

(Fonte: Sam LaRusso - Wikimedia Commons / Reprodução)(Fonte: Sam LaRusso - Wikimedia Commons / Reprodução)

Rapidamente, Eben entrou em um estado de dependência absurdo, comprando Radithor para todos os seus conhecidos e recomendando prontamente a bebida. Totalmente obcecado e convencido sobre os efeitos "benéficos" do remédio, o playboy tomou sozinho cerca de 1400 frascos, e não demoraria a sentir os efeitos da radiação em seu corpo.

O triste fim de Eben Byers

Em 31 de março de 1932, Eben Byers foi oficialmente declarado morto, diagnosticado com múltiplos cânceres induzidos por radiação. Aos 51 anos, o ex-atleta sofria com a perda de peso, dores de cabeça e queda dos dentes, resultando na decomposição quase total de sua mandíbula inferior, deteriorada pelo excesso de rádio líquido. Por fim, seu advogado relatou que "todo o tecido ósseo restante do corpo estava se desintegrando e buracos estavam se formando em seu crânio", e Eben Byers foi enterrado com apenas seis dentes restantes.

Já em 1949, o inventor da bebida foi encontrado morto por câncer na bexiga, e 20 anos depois seu corpo ainda permanecia quente, como resultado da contaminação pela substância radioativa.

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