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O bizarro caso do estudante que quase não tinha cérebro

Em meados de 1980, um artigo publicado pela revista Science chocou o mundo da ciência. Durante sua análise, o médico John Lorber passou a questionar a importância do cérebro para os seres humanos. O motivo? O neurologista relatava ter tido contato com um aluno de Matemática da Universidade de Sheffield que praticamente não possuía o órgão.

Dentro do artigo batizado de “O cérebro é realmente necessário?”, Lorber cita que o estudante sempre relatou possuir fortes dores de cabeça. Então, ao examinar o paciente, detectou que a cabeça do jovem era um pouco maior do que o habitual e sofria de uma condição específica chamada hidrocefalia, que ocorre quando o líquido cerebrospinal se acumula dentro das cavidades internas do cérebro.

Descoberta espantosa

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Na primeira vez que analisou o caso, o pesquisador ficou espantado pelo fato da falta de massa cerebral na cabeça do paciente não ter representado sequer uma perda de movimentos, processos sensoriais, falhas na memória ou perda em outras funções cognitivas do paciente. 

Isso fez com que Lorber passasse a enxergar o cérebro como um órgão com "grande redundância nas funções" e que poderia ter seus hemisférios faltantes compensados por uma pequena quantidade de matéria cerebral. De maneira geral, a hidrocefalia costuma ser fatal nos primeiros meses de vida de uma pessoa ou causar deficiências nos sobreviventes.

Porém, o jovem estudante não só sobreviveu como também se formou com louvor em matemática — o que só aumentou a curiosidade do cientista. Foi então que John Lorber decidiu examinar mais de 600 casos de hidrocefalia para aumentar sua perspectiva sobre o caso.

Pouco cérebro, muita inteligência

(Fonte: Pixabay)(Fonte: Pixabay)

Durante o estudo, os pacientes com hidrocefalia foram separados em quatro grupos: 

  • Pessoas com cérebro quase normal e crânio com volume líquido inferior aos 50%;
  • Crânio com volume de líquido entre 50 e 70%;
  • Crânio com volume de líquido entre 70 e 90%;
  • Crânio com volume de líquido até 95%

A análise demonstrou que metade das pessoas examinadas possuíam incapacidade mental severa. Por outro lado, o restante dos pacientes registrou quociente intelectual (QI) maior que 100. No caso do estudante de Matemática, o QI era de 126 — o que indica um nível de inteligência bastante superior.

Esse não é o primeiro caso de paciente com hidrocefalia vivendo uma vida normal. Em 2007, o The Lancet relatou um caso parecido na França. Foi descoberto através de uma tomografia que um funcionário público de 44 anos tinha um cérebro minúsculo e o restante do crânio ocupado por líquido. Mesmo após a remoção do fluido, a condição não impediu o paciente de viver uma vida normal. 




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