Por que milhares de pássaros são encontrados mortos anualmente nos EUA?

Diariamente, Melissa Breyer, integrante do Projeto Safe Flight ("voo seguro", em tradução livre) em Nova York, caminha pelas ruas norte-americanas à procura de pássaros mortos, como iniciativa lançada pela National Audubon Society para proteger as aves em locais com alto risco por causa de iluminação.

Certo dia, enquanto trafegava pelas proximidades do complexo do World Trade Center, a voluntária identificou dezenas de pássaros mortos que encontraram seu fim ao chocar em arranha-céus.

Editora-chefe do site de notícias ambientais Treehugger, Breyer revelou ter visualizado cenas de "filme de terror" após encontrar 261 pássaros mortos em uma manhã no World Trade Center. Ela revelou que, por dia, é capaz de contar 25 ou 30 cadáveres de aves espalhados pelas ruas de Nova York, então presenciar um número quase 10 vezes maior do que esses em um único local e em um período tão curto não somente a chocou, como também movimentou a ativista de conservação ambiental a clamar por soluções.

"Eram 6h15 quando cheguei lá, então o sol não tinha subido totalmente, mas você já podia vê-los: havia no chão esses pequenos pontos escuros, que eram pássaros", disse ela. "Era como uma cena de um filme de terror", a ativista afirmou. Os animais estavam distribuídos nas imediações dos edifícios 1, 3, 4 e 7 do World Trade Center e incluíam aves como toutinegras-de-cabeça-preta, toutinegras-de-cabeça-branca, cercomelas-americanos e mariquitas de diversas espécies. Delas, 30 indivíduos foram levados para o centro de reabilitação de animais selvagens Wild Bird Fund.

"Algumas das 226 aves mortas que peguei esta manhã enquanto monitorava as colisões de janelas para o National Audubon Society. 205 foram dos prédios 3 e 4 do World Trade Center. Muitas outras foram varridas, tornaram-se inacessíveis ou estavam mutiladas demais para serem coletadas. 30 feridas foram para o Wild Bird Fund. Se você estiver em Nova York hoje, tome cuidado onde pisa".

Rota de colisão

De acordo com o Projeto Safe Flight, estima-se que entre 90 mil e 230 mil aves migratórias são mortas em Nova York colidindo com o vidro da construção. Levando-se em consideração que o período migratório dura apenas 6 semanas, esses indicadores apontam a importância de uma compreensão melhor sobre a relação entre iluminação noturna e mortes de pássaros por colisões, visto que o número de eventos vem aumentando significativamente nos últimos anos.

Isso ocorre porque os pássaros são incapazes de detectar o vidro claro como uma barreira física. Além disso, a falta de compreensão sobre reflexão e a existência de fortes luzes brilhantes à noite interrompem o senso de direção das aves, levando os animais a sofrerem concussões após os choques com o vidro e com o chão.

Em janeiro deste ano, uma lei local em Nova York decretou que materiais amigáveis aos pássaros devem ser utilizados em pelo menos 90% das fachadas de prédios que meçam até 22,8 metros. Paralelo a isso, grupos de voluntários criaram campanhas de conscientização para estimular moradores e funcionários a desligar adequadamente as luzes, a fim de evitar mais acidentes.

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