Por que gostamos tanto da sensação de ver filmes de terror?

O terror no cinema é um dos gêneros mais visados nos últimos anos, especialmente pela evolução conceitual e de proposta que a categoria vem apresentando. Porém, tudo indica que o público entusiasta do horror não é atraído apenas por cenas violentas, abordagem psicológica pesada ou por sustos pontuais, mas também por um pouquinho de ciência, que passa a afetar o organismo e gerar uma sensação de "paixão" pelo medo.

Os filmes de terror são conhecidos por gerar uma série de emoções nos espectadores, podendo ser classificados como o gênero mais completo em relação ao poder sensorial. Em pouco mais de 90 minutos, é possível experimentar medo, angústia, aflição, pavor, alívio e muito mais, algo que é potencializado à medida que o telespectador imerge na produção e passa a acreditar que também faz parte de toda aquela perturbação.

(Fonte: Lionsgate / Reprodução)(Fonte: Lionsgate / Reprodução)

Quem nunca parou para comentar um "não faça isso!" ou "por que eles não vão todos juntos?" durante as sessões? Esse detalhe de inserção é um dos principais efeitos causados pelo medo, e poucas obras são capazes de genuinamente transmitir calafrios e uma vontade inata de deixar o corpo em alerta constante. Isso ocorre porque a descarga de adrenalina e de substâncias químicas, como endorfina e dopamina, induzem euforia, dando a ideia de que somos capazes de enfrentar situações que, na vida real, não seríamos.

A sensação psicológica

Outro detalhe que chama a atenção dos fãs de terror é o forte efeito psicológico que as obras levam ao público. Ao apresentar situações envolvendo traumas, tabus e violência, essas produções estimulam a projeção de pensamentos de enfrentamento, principalmente se as cenas tiverem fundamentos que se aproximem da realidade. Dessa forma, quanto mais o filme se propõe a coexistir em um mesmo universo à frente das telas, mais as pessoas se entregam.

“Esse filme foi feito para convencer os espectadores de que essa coisa de possessão demoníaca pode realmente acontecer e com qualquer pessoa. Não há como se proteger contra isso, não temos controle sobre isso”, disse Glenn Sparks, especialista em efeitos de mídia na Universidade de Purdue, comentando o filme O Exorcista. “As pessoas saíram do cinema pensando: 'Cara, sou vulnerável a isso'”.

(Fonte: a24 / Reprodução)(Fonte: a24 / Reprodução)

E, apesar de o medo ser visto essencialmente como uma sensação negativa, sua simples existência causa uma reação em cadeia capaz de despertar inúmeras outras sensações positivas. Assim, a ideia de que tudo ocorre por trás de uma tela transmite uma certa segurança de que não apenas fortalece, mas encoraja as pessoas a arriscarem algo que não faz parte de suas rotinas diárias e a investirem em obras apavorantes de forma voluntária.

“Isso remonta à primeira infância”, explicou a psicóloga clínica Margot Levin. “Pense em uma criança aprendendo a andar: uma das coisas que gosta de fazer é fugir dos pais, chegar a um certo ponto em que é um pouco assustador e depois correr de volta. Trata-se de brincar com o perigo, mas com uma sensação de segurança”.

Experimento de “gelar o sangue”

Em dezembro de 2015, um estudo publicado no jornal britânico The BMJ revelou que há uma boa chance de se desenvolver coágulos sanguíneos ao assistir a filmes de terror. Essa resposta, que normalmente é acionada pelo corpo para tratar lesões ou estancar sangramentos, é mais uma consequência da liberação de adrenalina e surge como um mecanismo instintivo que "não faz distinção entre ser perseguido por um urso ou assistir a um filme assustador".

(Fonte: Sony Pictures / Reprodução)(Fonte: Sony Pictures / Reprodução)

Do ponto de vista da sobrevivência, isso permite que pessoas estejam plenamente preparadas para enfrentar riscos, já que esses efeitos, ao melhorarem o desempenho verbal e cognitivo, dão o impulso necessário para que as situações de pavor sejam contornadas. Por isso que, ao assistir a um filme de terror, é possível pensar racional e conscientemente sobre diversos fatos, psicológicos ou não, mesmo sem haver vulnerabilidade clara aos eventos sofridos pelos personagens.

“Se por acaso você gosta de filmes de terror, você se acomoda e aproveita o susto da mesma forma que se diverte em uma montanha-russa”, disse Steven Schlozman, professor assistente de Psiquiatria na Harvard Medical School. “Se a ameaça for real, você faz o mesmo tipo de coisa, mas, na maioria dos casos, não aproveita a experiência. É normal ficar intrigado com coisas que nos assustam”, disse ele. “O terror nos permite enfrentar nossos medos a uma distância segura”, o professor afirmou.

(Fonte: a24 / Reprodução)(Fonte: a24 / Reprodução)

Assim, ver um filme de terror pode ser uma ótima forma de refletir sobre temas contemporâneos, gerenciar o estresse e melhorar as habilidades de resolução de problemas.

Os 10 filmes de terror mais apavorantes, segundo a Ciência

Em 2021, a equipe do BroadbandChoices realizou uma pesquisa com usuários do Reddit para descobrir quais são os 30 projetos de horror que mais tiveram destaque na vida dos usuários. Em seguida, informações de monitoramento cardíaco recolhidas de 250 participantes classificaram as obras de acordo com a média de batimentos. Confira abaixo a lista dos dez filmes mais assustadores segundo a pesquisa.

  1. Host (2020), 88 batimentos
  2. A Entidade (2012), 86 batimentos
  3. Sobrenatural (2010), 85 batimentos
  4. Invocação do Mal (2013), 84 batimentos
  5. Hereditário (2018), 82 batimentos
  6. Aterrorizados (2017), 82 batimentos
  7. Corrente do Mal (2014), 81 batimentos
  8. Um Lugar Silencioso — Parte 2 (2021), 80 batimentos
  9. Atividade Paranormal (2007), 80 batimentos
  10. Invocação do Mal (2016), 79 batimentos
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