Papel ou plástico: qual sacola afeta menos o meio ambiente?

A Deco Proteste, maior organização de defesa do consumidor portuguesa, realizou uma pesquisa para determinar o impacto ambiental dos sacos de compras, levando em consideração estudos realizados com 96 amostras na Bélgica, Itália e Espanha. Os testes foram aplicados com base em diversas características, desde a fabricação até o uso das sacolas, tendo em vista a quantidade de vezes necessárias para reutilizá-las de forma a compensar os danos causados à natureza.

A pesquisa da instituição testou a capacidade das 96 sacolas e do número de usos para compensar os impactos causados ao meio ambiente, avaliando questões como o ciclo de vida, o volume máximo de cada saco, os materiais utilizados para confecção, o uso de tintas ou corantes, as certificações, o país de origem e outros tópicos, na tentativa de responder à pergunta “Quantos sacos de cada categoria são necessários para transportar os produtos de mercearia com um volume de 20 litros e um peso de 10 quilos em uma só ida às compras?”.

De acordo com os especialistas, o saco de rodinhas Trolley, um carrinho com uma bolsa acoplada, é o produto que mais compensa para os consumidores caso seja incorporado na rotina mercantil pensando no longo prazo, visto seu grande potencial reutilizável. Mantê-lo como principal item de mercearia é essencial para reduzir os danos ambientais causados durante sua produção, distribuição e utilização, sendo necessário 742 reutilizações para compensar os impactos, algo equivalente a 7 anos caso vá às compras 2 vezes na semana.

(Fonte: Bag the Hope / Reprodução)(Fonte: Bag the Hope / Reprodução)

Em segundo lugar, como o saco que mais exige reutilizações, está a popular ecobag de algodão, comumente vendida nos caixas de mercantis. Devido à ineficiência da produção de algodão, já que é necessário 30% de solo adicional para produzir um quilo da fibra orgânica – lembrando que o material ignora pesticidas e fertilizantes –, os sacos ecológicos exigem 149 reutilizações para contrabalancear os impactos ambientais.

Plástico vs. papel

Para igualar a performance de um saco plástico à porcentagem de material reciclado, o saco de papel deve ser levado ao mercado ao menos nove vezes, mas ambos impactam no tocante à utilização do solo – fator considerado o mais significativo para os reais danos ambientais ocorridos em terras de plantio.

Dessa forma, a sugestão é que os sacos plásticos sejam utilizados de uma única vez, posteriormente depositando-o em um ecoponto de coleta seletiva para que seja levado à reciclagem.

Com impactos ambientais da fabricação até o uso, os sacos plásticos são os maiores liberadores de microplásticos, especialmente quando são lavados para reutilização. Assim, é sugerido que sua higiene ocorra apenas através de um pano umedecido, caso o consumidor queira mantê-lo em seu dia a dia.

"O nosso conselho é mais singelo e talvez um pouco fora da caixa, se nos lembrarmos da condenação pública há muito tempo feita ao plástico: o melhor é nos limitarmos a usar embalagens reutilizáveis de poliéster, sem tinta. Causaremos menos dano ao ambiente", segundo a conclusão da pesquisa. "A regra, por isso, continua a ser o uso repetido do bom senso e um equilíbrio entre as nossas necessidades e as do planeta", de acordo com o estudo.

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