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Mulheres são mais emotivas do que homens? Não é o que diz a Ciência

De acordo com um estudo publicado por especialistas da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, as mulheres não são mais emotivas do que os homens. A tese contraria uma espécie de estereótipo global em que as mulheres são consideradas "irracionais" se comparadas ao sexo oposto, especialmente quando há flutuação de emoções. Por meio de observações diárias, foi definido um importante contraponto em relação a uma pesquisa que entrega dados excludentes há décadas.

Tendo como autora sênior Adriene Beltz, professora assistente de Psicologia da Universidade de Michigan, o projeto serviu como uma retratação histórica contra a observação das emoções entre gêneros, visto que mulheres eram excluídas de pesquisas biomédicas, neurológicas e sociais devido às flutuações cíclicas nos hormônios ovarianos, consideradas indutoras de variabilidade que poderiam interferir nos resultados dos projetos.

Agora, com o surgimento de suporte empírico e de novos mandatos — e com a maior participação das mulheres em pesquisas científicas — novos dados relevantes estão começando a surgir e, com isso, importantes estereótipos sociais vêm sendo quebrados, especialmente os relativos à sensibilidade entre gêneros. Para isso, levam-se em consideração os diferentes tratamentos de variabilidade emotiva, quando sentimentos como entusiasmo, nervosismo ou força são interpretados de forma equivocada conforme o sexo que os vivencia.

(Fonte: Getty Images / Reprodução)(Fonte: Getty Images / Reprodução)

A pesquisa teve como base observações diárias, por cerca de 2 meses e meio, com 142 homens e mulheres voluntários para um experimento em que suas emoções negativas e positivas foram analisadas, respeitando três índices de variabilidade afetiva: volatilidade, inércia emocional e ciclicidade. 

O fim do viés especulativo

Os participantes dos testes foram divididos em 5 grupos, com os homens inclusos em um único, e as mulheres separadas nos outros 4. Um sem a interferência de anticoncepcionais e os 3 restantes utilizando diferentes formas de contraceptivos orais. Em seguida, os resultados, ao fim dos 75 dias, foram comparados, confirmando flutuações de emoções semelhantes em todos os índices, variando minimamente devido a circunstâncias individuais (a margem de erro esperada).

“Também não encontramos diferenças significativas entre os grupos de mulheres, deixando claro que os altos e baixos emocionais são devidos à muitas influências — não apenas aos hormônios”, disse Beltz.

“Nosso estudo fornece dados psicológicos exclusivos para mostrar que as justificativas para excluir as mulheres em primeiro lugar (devido aos hormônios ovarianos flutuantes e, consequentemente, às emoções, experiências confusas) foram equivocadas”, disse a especialista.

Mesmo que existam poucas diferenças entre os grupos, foi apontado que não há indícios de que os hormônios ovarianos influenciem a variabilidade afetiva nas mulheres em maior extensão do que os fatores biopsicossociais que influenciam as emoções diárias nos homens, colocando ambas as perspectivas em igualdade aproximada e eliminando as generalizações sobre as mulheres serem mais emotivas de forma recorrente.

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