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Os animais radioativos que espalham a radiação de Chernobyl

Quase quatro décadas depois do acidente nuclear de Chernobyl, a radiação ainda é um problema. A explosão, que aconteceu no dia 26 de abril de 1986, obrigou a URSS a estabelecer uma zona de segurança de 30 quilômetros ao redor da usina. Milhares de pessoas tiveram que deixar o local, e com a cidade abandonada, a vida selvagem pode voltar a se estabelecer por ali.

Enquanto isso, a quase dois mil quilômetros de onde ficava a usina nuclear, javalis selvagens têm se tornado um problema cada vez mais comum na Alemanha. Isso porque eles se alimentam de cogumelos que absorveram parte da radiação que foi espalhada pelo ar. E se em Chernobyl a vida selvagem não precisa disputar espaço com as pessoas, em outro lugares os animais têm cada vez menos floresta e precisavam invadir cidades para conseguir comida.

Radiação acumulada

(Fonte: Unsplash)(Fonte: Unsplash)

A explosão do reator 4 da usina de Chernobyl espalhou césio-137 pelo ar, que atravessou uma boa parte do continente europeu. Com o tempo esse material chegou ao solo, e contaminou plantas e fungos. E é dos cogumelos contaminados que os javalis se alimentam, gerando um problema de saúde e econômico para vários países.

Isso acontece porque a carne de javali é muito consumida em países como a Alemanha e a República Tcheca. Todos os anos, os governos desses países precisam ressarcir caçadores que abatem javalis contaminados, para evitar que essa carne chegue à população. Mas o problema vai muito além do consumo da carne.

Em busca de comida, os javalis chegam às cidades em grupos, vasculhando lixeiras de parques e residências. Hoje, esses animais servem como um alerta para os riscos do material radioativo, que continuará sendo um problema para os europeus por muitos anos. Como o tempo de meia-vida do césio-137 é de aproximadamente 30 anos, somente em 2016 a sua concentração caiu pela metade. E apenas em 2046 ela chegará em 25% do total despejado pela usina.

Um problema mundial

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Mas não são apenas os europeus que sofrem com a radiação sendo disseminada por animais selvagens. Nos Estados Unidos, antigas instalações nucleares também serviram para contaminar o solo, rios, a flora e a fauna. Um exemplo particularmente preocupante é o da usina nuclear de Hanford, no estado de Washington. Hanford é o local do primeiro reator nuclear e foi a instalação que forneceu plutônio à bomba lançada em Nagasaki, no Japão. 

Em 1988, o reator de Hanford foi desativado, mas deixou para trás milhões de toneladas de resíduos sólidos e galões de resíduos líquidos de suas décadas de produção de plutônio. Atualmente, este material radioativo está enterrado no subsolo em poços escuros e reservatórios. O problema é que os resíduos líquidos penetram no solo. 

Para entender a dimensão do problema, armadilhas são instaladas nas imediações de onde ficava a usina. Os animais apanhados são analisados e a sua condição é igualmente alarmante. Eles mostram que a radiação em alguns deles é superior aos níveis considerados seguros, o que significa que eles também podem espalhar radiação pelos Estados Unidos. Mas mais do que isso, eles servem de alerta para os perigos a longo prazo que usinas nucleares podem oferecer, quando seus dejetos são descartados de qualquer maneira.

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