Efeito Retorno do Soldado: quando nascem mais meninos no pós-guerra

14/03/2023 às 12:002 min de leitura

Depois que o Japão se rendeu aos Aliados, em 15 de agosto de 1945, colocando um ponto final na Segunda Guerra Mundial, o governo começou a fazer as contas das consequências arrasadoras do conflito, desde a destruição causada pela bomba atômica até o declínio econômico que, para o desespero dele, foi acompanhado por um boom na taxa de natalidade do país.

Entre 1930 e 1940, o Japão perdeu 2,3 milhões de militares para a guerra, e quando esses homens retornaram do conflito, o único desejo era se estabelecer e constituir uma família. Isso resultou no nascimento de 2,6 milhões de bebês, entre 1947 e 1949, desesperando o país pequeno e destruído, forçando-o a recorrer à Lei Farmacêutica e ao desenvolvimento de políticas fundamentais para popularizar métodos de controle de natalidade.

Foi durante esse período que os pesquisadores notaram um fenômeno que se espalhou por todas as nações que enfrentam guerras recorrentes, como os Estados Unidos: o nascimento desproporcional de bebês do sexo masculino. Eles chamaram isso de Efeito Retorno do Soldado, uma complexa interação entre guerra, genética e sexualidade humana.

Uma combinação de fatores

(Fonte: Rare Historical Photos/Reprodução)(Fonte: Rare Historical Photos/Reprodução)

Estatisticamente, o número de meninas e meninos nascidos em todo o mundo, deixando de lado quaisquer variáveis, seria o mesmo ou tão próximo um do outro que seria estatisticamente insignificante. No entanto, isso não é o que parece acontecer durante o fenômeno do Efeito Retorno do Soldado.

O Our World Data explica que, em média, nascem cerca de 105 meninos para cada 100 meninas no mundo, o que não é uma diferença enorme, mas também não é estatisticamente insignificante. O artigo “Soldados grandes e altos têm maior probabilidade de sobreviver à batalha: uma possível explicação para o efeito ‘soldado que retorna’ na proporção secundária de sexos”, publicado na National Library of Medicine, observou que, desde a Primeira Guerra Mundial, é amplamente conhecido que os soldados que voltam da guerra geram mais meninos – muito embora os números reais sejam difíceis de encontrar.

Segundo o pesquisador Satoshi Kanazawa, como já diz o título de sua pesquisa, isso acontece porque os homens mais fortes e mais altos têm maior probabilidade de favorecer o cromossomo Y, que determina que um bebê nascerá menino, por estarem desproporcionalmente preenchidos com ele no organismo.

(Fonte: Indiana Historical Society/Reprodução)(Fonte: Indiana Historical Society/Reprodução)

Tendo como base a Primeira Guerra Mundial, quando milhões de soldados britânicos voltaram para casa, a maioria deles eram fortes e altos, e foi nesse período que a nação viu nascer uma taxa muito grande de meninos no pós-guerra.

No século XX, os soldados mais altos foram considerados fisicamente mais fortes e aptos, bem como geneticamente mais saudáveis. Dessa forma, eles podem ter conseguido resistir a doenças e feridas sofridas durante o combate.

Dominic D. P. Johnson, da Universidade de Edimburgo, salientou que, ainda que os soldados maiores fossem estatisticamente mais propensos a serem baleados por causa disso, no entanto, seus órgãos vitais podem não crescer em tamanho proporcional ao corpo. Ou seja, eles podem ter órgãos maiores, como coração e os pulmões, mas não tão grandes quanto deveriam ser. Com isso, eles seriam mais propensos a serem baleados com segurança e ainda sobreviver à lesão.

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