Bebês com genes de 3 pessoas nascem no Reino Unido

11/05/2023 às 02:002 min de leitura

O Reino Unido celebra o nascimento dos primeiros bebês concebidos com o DNA de três pessoas diferentes, após um avançado procedimento de fertilização in vitro. Esse novo método tem como objetivo evitar que as crianças herdem doenças genéticas incuráveis. Estima-se que cerca de um em cada 6 mil bebês seja afetado por distúrbios mitocondriais.

Denominado tratamento de doação mitocondrial (MDT), o procedimento utiliza tecido ovariano saudável de doadoras para criar embriões livres de mutações genéticas prejudiciais carregadas pelas mães.

Por meio da combinação do esperma e do óvulo dos pais biológicos, o bebê resultante carrega o DNA de sua mãe e pai, juntamente com cerca de 37 genes da doadora. Embora tenha duas mães, mais de 99,8% do DNA dos bebês provém de seus pais biológicos. A doadora não tem quaisquer direitos ou responsabilidades em relação à criança.

O que é a técnica de substituição mitocondrial?

Técnica de substituição mitocondrial tem como base a fertilização in vitro. (Fonte: GettyImages/Reprodução)Técnica de substituição mitocondrial tem como base a fertilização in vitro. (Fonte: GettyImages/Reprodução)

A técnica MDT, também conhecida como terapia de substituição mitocondrial, foi desenvolvida por médicos do Newcastle Fertility Centre, no Reino Unido, visando auxiliar as mulheres portadoras de mitocôndrias mutantes a terem filhos sem o risco de transmitir doenças genéticas.

Como as mitocôndrias são hereditárias maternalmente, a concepção natural geralmente se torna uma aposta. Alguns bebês podem nascer saudáveis ao herdar apenas uma pequena quantidade de mitocôndrias mutantes, enquanto outros podem herdar uma proporção maior e desenvolver doenças graves e progressivas.

O MDT oferece uma esperança para essas mulheres, e o Parlamento do Reino Unido alterou a lei em 2015 para permitir o procedimento. O Newcastle Fertility Centre é o único centro licenciado no Reino Unido para realizar o tratamento. Aproximadamente 30 casos foram aprovados pela Autoridade de Fertilização e Embriologia Humana (HFEA) daquele país.

Como funciona o procedimento?

O DNA mitocondrial da mãe tem um papel fundamental para a geração de energia no feto. (Fonte: Getty Images/Reprodução)O DNA mitocondrial da mãe tem um papel fundamental para a geração de energia no feto. (Fonte: Getty Images/Reprodução)

No Reino Unido, existem duas técnicas aprovadas que buscam produzir embriões saudáveis que carreguem o material genético dos pais biológicos. Com uma taxa de sucesso significativa, essas técnicas também visam substituir genes mitocondriais mutantes por meio da doação de óvulos.

A primeira técnica, conhecida como transferência do fuso materno (MST), envolve a transferência do material genético nuclear do óvulo materno para um óvulo doado. Antes da fertilização com o esperma paterno, o óvulo doado passa por um processo de remoção de seu próprio material genético.

Já a segunda técnica é denominada transferência pronuclear (PNT). Nesse método, tanto o óvulo da mãe quanto o óvulo do doadora são fertilizados com o esperma do pai antes da troca dos núcleos das células maternas pelas células da doadora. Essa troca ocorre após a fertilização e visa alcançar um embrião saudável com o material genético desejado.

Em ambas as técnicas, a criança concebida não tem direito a informações de identificação sobre a doadora de óvulos. No entanto, a partir dos 16 anos, a criança tem o direito de receber informações não identificáveis, como os resultados dos exames de triagem médica realizados pela doadora.

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