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Como ocorre a contaminação alimentar?

A cadeia de lojas Trader Joe’s é uma importante rede de supermercados e mercearias dos Estados Unidos que conta com mais de 500 unidades espalhadas pelo país. No último mês, a franquia ficou no centro das discussões sobre qualidade alimentar na atualidade. Em menos de um mês, o Trader Joe’s fez quatro recalls de produtos alimentícios por diferentes motivos. A rede pediu para consumidores descartarem determinados lotes de alimentos ou devolverem a loja para serem reembolsados.

Os recalls já aconteceram por presença de metal em bolachas, de pedras em cookies, de insetos em sopas e pela falta de anúncio da presença de leite em outros produtos. Os casos reacenderam a discussão sobre a contaminação alimentar.

A maioria das grandes marcas de supermercados aproveitam sua capilaridade pelo país para oferecer alimentos prontos. Para isso, terceirizam a sua produção e a logística de entrega, mesmo quando os produtos são de “marca própria”. Estas cadeias mais longas de alimentos dificultam o controle de qualidade e aumentam o risco de contaminação nos alimentos.

Tipos de contaminação alimentar

Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a contaminação alimentar pode ocorrer por três meios: biológico, físico ou químico.

A contaminação biológica engloba todos os outros tipos, mas além de ser causada por corpos estranhos físicos ou químicos, podem ser causados por elementos presentes no próprio alimento. Microrganismos utilizados para produzir itens como, queijos, coalhadas, pães, salames e outros, podem ver uma multiplicação das bactérias caso sejam mal armazenados. Assim, bactérias boas podem se tornar nocivas aos seres humanos dependendo das condições para sua multiplicação.

A contaminação química pode ser causada quando alimentos são expostos a agrotóxicos excessivos e não são devidamente lavados. Além disso, o contato com produtos de limpeza ou com outros produtos de processo industrial pode inserir toxinas e elementos químicos estranhos na comida.

Alimentos estão em risco desde a colheita até a chegada na mesa. (Fonte: GettyImages/Reprodução)Alimentos estão em risco desde a colheita até a chegada na mesa. (Fonte: GettyImages/Reprodução)

Por fim, existe a contaminação por meios físicos. Nesses casos, corpos estranhos externos aos alimentos entram em contato com estes e podem passar bactérias e outros organismos nocivos. As contaminações físicas podem acontecer nas mais diversas etapas da produção alimentar. No campo, o contato com roedores, insetos e até com pedras pode ser um dos primeiros pontos de contaminação. Por isso, seguir as orientações de coleta e armazenamento dos alimentos do campo é fundamental.

No transporte existe mais risco de contaminação física, seja pelo contato com outros tipos de alimentos ou pela falta de higiene nos equipamentos utilizados. Nas indústrias de processamento alimentício, equipamentos sem a manutenção adequada podem oferecer risco de contaminação por metal e vidro. As equipes que manuseiam os alimentos também oferecem risco, caso não utilizem luvas, toucas e não façam a higienização correta.

Por fim, existem riscos na venda ou no preparo de alimentos. Os mercados precisam armazenar os produtos de modo que as embalagens não sejam violadas e os riscos seguem nos restaurantes ou no preparo em casa. Por isso, todo cuidado é pouco e seguir as normas dos órgãos fiscalizadores é importante.

Futuro da alimentação

A praticidade, cada vez mais exigida no mundo moderno, causa outros riscos de contaminação. A demanda por frutas descascadas e verduras e folhas cortadas e prontas para o consumo são uma delas. Este tipo de preparo deixa a comida muito mais suscetível a contaminação por bactérias como a Salmonella e E. coli. Isto por que as cascas atuam como uma barreira natural contra a invasão destes organismos, e uma vez sem elas e com partes cortadas, as partes abertas de frutas e verduras tornam-se um local melhor para a alimentação e reprodução de fungos e bactérias.

Todos esses casos trazem preocupação sobre o futuro da alimentação. A perda do contato com alimentos frescos e a industrialização extrema da comida pode levar a cada vez mais surtos de contaminação — e cada vez mais rápidos e difíceis de serem identificados.

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