Genética ajuda a encontrar descendentes vivos de crânios roubados da África há um século

31/10/2023 às 08:002 min de leitura

Pesquisadores alemães conseguiram fazer testes de DNA em crânios levados da África para a Alemanha durante os séculos XIX e XX. Miraculosamente, foram encontrados descendentes vivos de alguns deles. O episódio conta uma triste marca na história de populações originárias da África.

Origem da coleção e as pesquisas

Entre 1880 e o final da Primeira Guerra Mundial, a Alemanha colonizou alguns territórios no leste do continente africano. A colônia, batizada de África Oriental Alemã, compreendia territórios que hoje fazem parte da Tanzânia, Burundi, Ruanda e pequena parte de Moçambique. Durante este período várias ossadas foram levadas para a Alemanha para serem estudados.

Cerca de 7.700 crânios da época estavam armazenados no Hospital Charité de Berlim e foram levados para o Museu de Pré-história e História Antiga da mesma cidade em 2011. Acredita-se que a maioria das ossadas tenha sido retirada de tumbas sem o consentimento da população local e contrabandeadas para a Alemanha. A maior parte dos crânios teria vindo da coleção pessoal de Felix Von Luschan, médico e antropólogo cujas pesquisas foram usadas por nazistas para criar a ideia de uma raça superior. O resto dos crânios seria da propriedade do hospital, bem como de doações de outras pequenas coleções.

Com a mudança de local da coleção, os crânios começaram a ser investigados na busca por DNA e mais informações. Grande parte da documentação acerca da coleção havia sido destruída durante a Segunda Guerra Mundial e a coleção foi mal armazenada durante mais de um século. Alguns crânios tinham apenas inscrições bastante apagadas para dar pistas sobre a sua origem.

Neste panorama, os pesquisadores conseguiram realizar testes de DNA em 1.100 crânios que estavam em melhores condições. Descobriu-se que 904 vieram do que hoje é Ruanda, 197 da Tanzânia, 27 do Quênia e outros sete não tiveram dados conclusivos. Oito crânios estavam em condições tão boas que foi possível iniciar a busca por descendentes e, em três casos, foi possível encontrar pessoas vivas com DNA relacionado. Segundo os pesquisadores, é a primeira vez que é possível encontrar traços de DNA de pessoas vivas em artefatos arqueológicos desenterrados.

O caso mais incrível é de um dos crânios que pertenceu ao avô de um homem que ainda está vivo. O crânio continha a inscrição “Akida”, um termo usado para se referir a uma autoridade designada pelo governo da ocupação alemã. Isto possivelmente indica que o homem foi um líder do povo chagga, que ocupou o que hoje é a Tanzânia.

Carregamento de navio em colônias africanas alemãs no início do século XX. (Fonte: WikimediaCommons/Reprodução)Carregamento de navio em colônias africanas alemãs no início do século XX. (Fonte: WikimediaCommons/Reprodução)

Alemanha tenta abordar erros do passado

Os pesquisadores anunciaram que, após o término das investigações, pretendem devolver todo o material aos seus países de origem. 

Há pelo menos 20 anos a Alemanha vem realizando um trabalho de tentar fazer reparações sobre algumas das atrocidades cometidas durante o período colonial. O caso mais emblemático é a ocupação que ocorreu no território da atual Namíbia, no sul do continente africano. Em 2021, o governo alemão reconheceu oficialmente que, entre 1904 e 1908, cometeu genocídio contra a população local e prometeu 1 bilhão de euros como suporte financeiro para os descendentes das vítimas.

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