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Megalago extinto há 12 milhões de anos entra para o Guinness como o maior que já existiu

Se pudéssemos voltar 12 milhões de anos no tempo para qualquer local entre os Alpes orientais até o atual Cazaquistão, seríamos recebidos por uma visão majestosa e colossal: o megalago Paratethys.

Muito mais que apenas um lago, ele era uma verdadeira maravilha geológica que agora ostenta o título de maior lago que já existiu na Terra, registrado no Guinness World Records.

O maior lago do mundo

Megalago Paratethys tinha uma área gigantesca e mereceu com razão o título de Megalago Paratethys tinha uma área gigantesca e mereceu com razão o título de "maior lago do mundo". (Fonte: Dan Palcu/Natural Earth/Reprodução)

O megalago Paratethys, conforme revelado nos estudos recentes liderados pelo paleoceanógrafo Dr. Dan Palcu e sua equipe, teve sua origem há aproximadamente 12 milhões de anos, quando as placas continentais se chocaram, formando não apenas montanhas na Europa Central, mas também este colossal corpo d'água. 

Com uma área de impressionantes 2,8 milhões de km² e um volume de água estimado em mais de 1,77 milhão de km³, o Paratethys era mais de dez vezes maior que todos os lagos atuais do mundo combinados.

A vida no Paratethys era única e diversificada, abrigando desde focas, elefantes antigos e até menor baleia já registrada, a Cetotherium riabinini. Esse megalago não era constante em tamanho e sofreu várias transformações ao longo de sua existência. 

Durante um período crítico entre 7,65 e 7,9 milhões de anos atrás, o lago perdeu até dois terços de sua área e um terço de seu volume, mas eventualmente se reabasteceu ao se conectar ao Mar Mediterrâneo.

O poder das mudanças climáticas

O dinotério era uma das espécies que nasceram nas áreas do Paratethys. (Fonte: Utrecht University/Reprodução)O dinotério era uma das espécies que nasceram nas áreas do Paratethys. (Fonte: Utrecht University/Reprodução)

A saga do Paratethys é uma epopeia marcada por mudanças climáticas e atividade tectônica. Os cientistas, utilizando métodos avançados, reconstruíram essa história por meio de registros geológicos, fósseis e modelagem digital. O lago experimentou quatro episódios intensos de contração, com os níveis de água caindo até 250 metros em seu auge de dessecação.

As mudanças climáticas não afetaram apenas o lago, mas também moldaram a evolução de animais terrestres. Os níveis de água mais baixos expuseram novas áreas costeiras, proporcionando terreno fértil para a evolução de mamíferos, incluindo os ancestrais de girafas e elefantes.

Infelizmente, o Paratethys teve fim entre 6,7 e 6,89 milhões de anos atrás, quando uma saída formada pela erosão na borda sudoeste do lago resultou em uma provável gigante cachoeira. Seu legado agora vive em águas como o Mar Negro, o Mar Cáspio e o Mar de Aral.

A pesquisa liderada por Dr. Palcu não é apenas uma viagem ao passado, mas uma janela para o futuro. A instabilidade climática que afetou o Paratethys ecoa nos desafios ambientais atuais, como o Mar Negro, com suas condições perigosas e problemas de oxigenação. Compreender esse megalago não é apenas desenterrar curiosidades pré-históricas, mas uma ferramenta valiosa para enfrentar as crises ambientais contemporâneas.

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