Peixe com presas de 380 milhões de anos é encontrado na Austrália

07/02/2024 às 12:002 min de leitura

Os sítios fósseis mais remotos de toda a Austrália acabam de entregar uma nova espécie para o mundo: um peixe predador com barbatanas lobadas, armado com grandes dentes e escamas ósseas. Essa criatura lendária teria vivido no mundo há 380 milhões de anos, numa época em que o Devoniano médio mergulho a Terra em um período de diminuição do oxigênio atmosférico.

De acordo com os pesquisadores, isso também pode explicar como esse predador conseguia respirar ar, além de usar a respiração branquial. A espécie nova para a ciência foi encontrada no rio Finke de Alice Spring, que possui difícil acesso, mas já foi lar para uma série de animais antigos bizarros.

Criatura histórica

(Fonte: Universidade Flinders/Reprodução)(Fonte: Universidade Flinders/Reprodução)

Chamado cientificamente de Harajicadectes zhumini, o peixe predador foi descrito por uma equipe internacional de pesquisadores liderada pelo paleontólogo da Universidade Flinders, Dr. Brian Choo. O nome do gênero é derivado do local onde os fósseis cruciais foram achados no membro do arenito Harajica. 

"Encontramos esta nova forma de peixe com barbatanas lobadas num dos sítios fósseis mais remotos de toda a Austrália, o Membro de Arenito Harajica no Território do Norte, quase 200 km a oeste de Alice Springs, datando do Médio Oriente", disse o coautor do estudo John Long em um comunicado oficial.

O nome da espécie também é uma homenagem ao professor Min Zhu, da Academia Chinesa de Ciências de Pequim, creditado pela instituição por ter “feito contribuições únicas e notáveis aos estudos sobre morfologia, histologia, filogenia, biogeografia e história evolutiva de muitos grupos primitivos de vertebrados”. 

Características peculiares

(Fonte: Universidade Flinders/Reprodução)(Fonte: Universidade Flinders/Reprodução)

Além de suas temíveis presas e escamas blindadas, o peixe encontrado na Austrália é notável por sua combinação incomum de aparelhos respiratórios. Não satisfeito com a respiração branquial, que normalmente é associada aos peixes, essa espécie também tinha grandes aberturas no topo do crânio que o tornavam um respirador de ar nato.

De acordo com Choo, acredita-se que essas estruturas espiraculares facilitavam a respiração do ar na superfície, sendo que alguns peixes africanos têm estruturas semelhantes para absorver o ar na superfície da água atualmente. "Esta característica aparece em múltiplas linhagens de Tetrapomodorph aproximadamente ao mesmo tempo durante o Devoniano Médio", relatou. 

Além dos Harajicadectes da Austrália central, grandes espiráculos também foram identificados na Austrália Ocidental no passado. Acredita-se que uma queda no oxigênio atmosférico durante esse período histórico poderia explicar por que alguns peixes evoluíram para complementar a respiração branquial com a respiração aérea. 

O fato de vários peixes de ramos amplamente separados exibirem essa característica de respiração dupla é, portanto, um exemplo de evolução convergente — em que espécies distintamente relacionadas evoluem independentemente as mesmas adaptações. Os pesquisadores ainda não sabem ao certo onde esta nova espécie se encontra da "Árvore da Vida" ictiológica. Porém, de qualquer forma, essa é uma descoberta incrível feita sobre o passado de nosso planeta.

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