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Os alimentos ultraprocessados não vão sair das prateleiras: o que fazer para diminuir os impactos deles na sua saúde?

Os alimentos ultraprocessados, como cereais matinais e pizzas congeladas, tornaram-se uma presença constante em nossas vidas. E, apesar de serem saborosos, são repletos de ingredientes altamente manipulados e ocupam grande parte das prateleiras dos supermercados. Porém, eles não são apenas uma parte integrante da nossa dieta, como também têm se tornado o foco de muitas conversas globais sobre saúde pública e nutrição.

Nos últimos dez anos, pesquisadores se dedicaram a compreender melhor esses produtos e determinar como seu consumo se correlaciona a doenças, com estudos recentes os ligando ao aumento do risco de condições que variam de doenças cardiovasculares, câncer, obesidade e até depressão.

Os riscos dos alimentos ultraprocessados

(Fonte: Getty Images)(Fonte: Getty Images)

O processamento de alimentos envolve técnicas como moagem, cozimento e pasteurização, que tornam os itens comestíveis mais seguros e palatáveis.

Porém, aqueles considerados ultraprocessados passam por outras técnicas industriais adicionais, como hidrólise e extrusão, além de contar com ingredientes raramente vistos em ambientes domésticos – emulsificantes, espessantes e aromatizantes, por exemplo.

Apesar de evidências científicas apontando os riscos associados a esses produtos, representantes da indústria alimentícia e alguns pesquisadores questionam a força das evidências e argumentam que a categoria em si é mal definida. Eles também acreditam que a generalização como "prejudiciais à saúde" ignora a parte benéfica, como o fato de serem mais acessíveis, seguros e fáceis de preparar. E, no caso dos famosos plant-based, mais sustentáveis por substituir carne e laticínios.

(Fonte: Getty Images/Reprodução)(Fonte: Getty Images/Reprodução)

Grande parte das evidências sobre os malefícios dos alimentos ultraprocessados surgiu por meio de estudos observacionais, nos quais os participantes relatam seus hábitos alimentares e monitoram sua saúde ao longo de um período. Os resultados apontaram consistentemente uma associação entre o consumo e uma série de problemas de saúde, como: doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes tipo 2, câncer, obesidade, depressão e doenças inflamatórias do trato gastrointestinal.

Um ponto importante é que essas pesquisas não podem comprovar diretamente que tais produtos são os grande responsáveis pelas doenças, com outros fatores, como estilo de vida, renda e nível educacional, causando um impacto na relação entre seu consumo e uma vida saudável. Porém, seus efeitos negativos foram vistos em investigações realizadas em diversas partes do globo.

Outro fato interessante é que mais alguns tipos desses alimentos, como cereais, pães integrais, iogurte e sobremesas à base de lacticínios, por exemplo, parecem oferecer um risco menor a nossa saúde do que outros na mesma categoria.

Por que alimentos ultraprocessados são tão consumidos?

(Fonte: Getty Images)(Fonte: Getty Images)

Além de possuírem uma densidade energética mais alta por conterem um baixo teor de água, a facilidade de preparo e a palatabilidade também desempenham papéis importantes na nossa predileção por esses produtos.

A combinação de certos ingredientes, como gordura e açúcar, pode criar alimentos "hiperpalatáveis", que estimulam os circuitos de recompensa no cérebro e dificultam parar de comer. Ou seja, eles não só oferecem um ótimo sabor, mas também ativam áreas do cérebro que causam prazer e felicidade, tornando-os potencialmente viciantes.

Como diminuir o impacto dos alimentos ultraprocessados? 

(Fonte: Getty Images)(Fonte: Getty Images)

Um grande debate sobre esses produtos envolve uma possível regulamentação de sua venda, utilizando restrições de publicidade, especialmente para crianças, e incentivando um estoque maior de alimentos frescos em lojas e mercados. 

Países como o Chile já implementaram regras que incluem rótulos de advertência em embalagens de alimentos, além de impostos sobre bebidas açucaradas. Isso resultou em uma queda nas compras desses itens e na melhoria da qualidade nutricional dos alimentos industrializados.

Outra ideia envolve uma colaboração entre cientistas e nutricionistas, utilizando as tecnologias de ultraprocessamento para criar opções mais saudáveis, com uma densidade calórica menor e mais nutrientes.

Enquanto isso, é importante encontrar uma forma de reduzir ao máximo possível o consumo desses itens dentro da rotina. É claro que não é fácil deixar produtos ultraprocessados como batatinhas e bolachas recheadas completamente fora da dieta, mas sem nunca esquecer da importância de ingerir verduras, legumes e outros alimentos que possuem mais fibras e nutrientes nas principais refeições.

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