5 fatos equivocados sobre a peste bubônica

28/03/2023 às 08:003 min de leitura

Quando pensamos em Idade Média, a peste bubônica logo chega à nossa mente. A terrível pandemia que se alastrou especialmente pela Europa no século XIV e matou entre 1/3 e 2/3 de toda população do continente - o que, de acordo com pesquisadores contemporâneos, pode chegar ao total de 50 milhões de pessoas.

A doença é causada pela bactéria Yersina pestis, encontrada em ratos e transmitida para o ser humano por meio de suas pulgas. Porém, ainda que permeie nosso imaginário, muitas pessoas compartilham fatos falsos sobre a doença.

1. Europa não foi o único continente afetado

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Apesar de muito estrago ter sido feito na Europa durante a pandemia da peste bubônica, é importante deixar claro que ela não ocorreu apenas no continente europeu. A doença se espalhou pelo continente com muita força, especialmente porque era um período de crescimento das rotas comerciais.

Ou seja, como as rotas também ocorriam com nações africanas e asiáticas, a doença acabou se espalhando por esses locais. Documentos históricos relatam mortes em todo o leste da Ásia, Oriente Médio e norte da África, este último uma região que sofreu de maneira muito semelhante à Europa.

Historiadores modernos defendem que nesta parte da África a devastação pode ter sido maior, mas a ausência de documentos históricos não permite determinar isso com clareza.

2. Não era considerada uma punição de Deus

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

É comum que filmes e livros afirmem que as pessoas do século XIV acreditavam que a peste bubônica era um símbolo da ira de Deus para com os povos pecadores. É importante deixar claro que isso não é totalmente verídico.

Ainda que a fé cristã fosse parte comum do cotidiano das pessoas naquela época e que partes da população visse na pandemia um "castigo divino", a medicina da época, mesmo que sem tanto conhecimento científico como nos dias atuais, defendia que a praga estava ligada a diferentes fluidos corporais.

3. A peste bubônica não matou indiscriminadamente

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Outro dado importante a ser explicado sobre a pandemia de peste bubônica é que ela não fez vítimas indiscriminadamente. Os grandes números de mortos podem nos fazer cair nessa avaliação rasa, mas pesquisas e levantamentos encontrados em documentos históricos já demonstraram que ela atacava, principalmente, jovens, idosos e pessoas com comorbidades.

Um estudo recente feito com mais de 500 esqueletos de vítimas da peste mostrou que a maioria delas se encaixava nos critérios citados anteriormente. Junte a isso uma medicina que ainda engatinhava e grandes levas trabalhadores comuns e agricultores pobres que adoeciam com frequência, e o alto número de mortes tem uma justificativa.

4. Não se usava a máscara de pássaro na época

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Festas à fantasia são cheias dessas máscaras que lembram pássaros e nos lembram da pandemia de peste bubônica. Bem, elas realmente existiram e foram utilizadas por médicos, mas não durante o século XIV, no período da peste bubônica. Aliás, não há nenhum tipo de documento que mencione o uso deste equipamento até o século XVII.

Acredita-se, porém, que seu uso foi, sim, motivado por receio de que a praga ressurgisse. Os médicos passaram a usar as máscaras junto a trajes que acreditavam ser impenetráveis às doenças. Seu criador foi o médico francês Charles de l'Orme, no início do século XVII. No bico, eram colocadas ervas medicinais, para purificar o ar que entrava.

5. As pessoas não cruzavam os braços e esperavam a morte

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Se você acredita que as pessoas que viviam na Europa (e demais regiões afetadas pela peste bubônica) simplesmente cruzavam os braços para esperar a morte, você está redondamente enganado. A medicina e os governantes tentaram muitas medidas para mitigar os efeitos da doença, e um bom exemplo são os italianos.

Durante o ápice da crise sanitária, eles desenvolveram uma espécie de isolamento de 30 dias para as regiões que apresentavam muitos casos. Quando notaram que, ainda assim, muitas pessoas morriam, decidiram acrescentar 10 dias, mudando o período para uma quarentena. Esse nome parece familiar?

A medida se espalhou por outras metrópoles europeias, pois surtiam um pequeno efeito, que só não foi maior em virtude da medicina ainda pouco avançada.

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