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Reserva cognitiva: o que é e por que deve ser fortalecida?

A reserva cognitiva pode ser entendida como uma porção extra de capacidade mental desenvolvida durante toda a vida e que protege o cérebro do envelhecimento e de doenças associadas a ele. O cérebro com maior reserva cognitiva também é mais resiliente à perda de capacidade que naturalmente ocorre quando envelhecemos. É como se a reserva cognitiva fosse a reserva de emergência financeira que guardamos para eventuais problemas futuros.

De onde veio esse conceito?

A reserva cognitiva explica porque pessoas da mesma idade podem ter capacidade cognitiva diferente. (Fonte: Shutterstock)A reserva cognitiva explica porque pessoas da mesma idade podem ter capacidade cognitiva diferente. (Fonte: Shutterstock)

No final dos anos 1980, pesquisadores descreveram indivíduos que em vida não apresentavam nenhum sintoma de demência, mas que após a morte tiveram seus cérebros analisados e foram encontradas lesões compatíveis com doenças como o Alzheimer. Segundo esses cientistas, o que fez com que essas pessoas não desenvolvessem os sintomas de doenças neurológicas foi a reserva cognitiva que elas possuíam.

Outros estudos mostraram que pessoas com a mesma quantidade de alterações cerebrais relacionadas à idade podem ter desempenho cognitivo muito diferente graças à reserva cognitiva. Isso explicaria porque alguns idosos conseguem manter atividades cognitivas normais durante toda a vida, enquanto outras pessoas com a mesma idade apresentam declínio das suas capacidades mentais mesmo sem nenhuma doença associada.

As experiências de vida tem papel fundamental na saúde do cérebro

Ser estimulado na infância e manter-se ativo durante a vida adulta ajudam a desenvolver a reserva cognitiva. (Fonte: Shutterstock)Ser estimulado na infância e manter-se ativo durante a vida adulta ajudam a desenvolver a reserva cognitiva. (Fonte: Shutterstock)

Pesquisas sugerem que a reserva cognitiva se forma a partir do nível de inteligência desenvolvido na infância combinado às nossas experiências ao longo da vida. Ter acesso à educação, desempenhar uma ocupação envolvente enquanto adulto e participar de atividades estimulantes são componentes chave dessas experiências benéficas.

Para garantir que um cérebro desenvolva a reserva cognitiva é preciso que na infância a pessoa seja estimulada com atividades que fortaleçam a capacidade cognitiva. Porém, não basta incentivar a criança a pensar e realizar exercícios que envolvam a lógica, as atividades físicas também são determinantes para que o cérebro gere essa resiliência.

Durante a idade adulta, o ideal é manter-se aprendendo coisas novas sempre que possível e também se envolver em atividades de lazer desafiadoras. Além disso, contar com uma rotina de exercícios físicos, ter o sono regulado e evitar o quanto possível o estresse são fatores determinantes para aumentar a reserva cognitiva.

É claro que fatores genéticos individuais ainda determinam se uma pessoa vai ou não desenvolver doenças neurológicas, porém, a reserva cognitiva pode contribuir para que os sintomas apareçam mais tarde ou até mesmo não apareçam.

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