Ciência
08/12/2024 às 21:00•2 min de leituraAtualizado em 08/12/2024 às 21:00
As pessoas centenárias, antes raras, estão cada vez mais comuns. Dados demográficos têm mostrado que este é um dos grupos que mais cresce entre a população mundial – e a quantidade de pessoas com mais de cem anos costuma dobrar a cada dez anos.
E pelo menos desde Platão e Aristóteles, os humanos refletem sobre o processo de envelhecimento. E isso envolve a investigação científica sobre quais são os motivos para uma longevidade fora do comum. As respostas podem passar pela predisposição genética e estilo de vida, mas também diz respeito a alguns biomarcadores que podem ser verificados no sangue.
Um novo estudo publicado na GeroScience trouxe algumas luzes a esse tema. A pesquisa revelou a existência de certos biomarcadores comuns, o que inclui os níveis de colesterol e de glicose, em pessoas que vivem para além dos 90 anos.
É uma novidade interessante, pois ela foi consolidada por meio de um estudo mais extenso, em escala maior (a pesquisa envolveu dados de 40 mil suecos entre 64 e 99 anos). Até o momento, os estudos sobre centenários haviam sido feitos em grupos pequenos de idosos. Agora, há dados que tornam possível a comparação entre perfis de biomarcadores que foram medidos ao longo da vida entre pessoas que viveram muito tempo e os de pessoas que viveram bem menos.
A ideia era tentar levantar quais os fatores que podem fazer alguém se tornar um centenário. Os 40 mil participantes foram acompanhados por 35 anos – 1.224 deles (2,7%) viveram até os cem anos. A maioria dessas pessoas (85%) era do sexo feminino.
Os pesquisadores analisaram doze biomarcadores presentes no sangue relacionados à inflamação, função hepática e renal, a chance de ter desnutrição e anemia, além de alguns ligados à função metabólica, como o colesterol e a glicose.
O que eles descobriram é que, no geral, as pessoas que chegaram aos cem anos tendiam a ter níveis mais baixos de glicose, creatinina e ácido úrico a partir dos 60 anos. Também verificou-se que os centenários raramente apresentaram valores extremamente altos ou baixos.
Outro achado é que quase todos os biomarcadores (as duas exceções são alato e albumina) tinham alguma ligação com a probabilidade de se chegar aos cem anos. E que pessoas com níveis mais baixos de colesterol total e ferro tiveram menor chance de chegar aos cem anos em relação àquelas com níveis mais altos. Mas, curiosamente, os participantes com níveis mais altos de glicose, creatinina, ácido úrico e marcadores de função hepática também diminuíam as chances de se tornarem centenários.
O estudo afirma que há uma possível ligação entre a saúde metabólica, nutrição e longevidade excepcional. Ainda que não se tenha considerado o fator do estilo de vida ou a interferência dos genes, faz sentido pensar que uma boa nutrição e a moderação na ingestão de álcool interferem diretamente no tempo que iremos viver.