Velho Airão: uma cidade-fantasma na Floresta Amazônica

A trama de Nomadland, filme ganhador do Oscar 2021, tem como ponto de partida o município de Empire, nos Estados Unidos, que se torna uma cidade-fantasma após a principal fonte de empregos do local fechar, fazendo os moradores partirem em busca de um novo lar.

Você sabia que o Brasil possui histórias semelhantes? Uma das cidades-fantasma mais famosas do nosso país é Velho Airão, no Amazonas. Fundada em 1694 por portugueses, cujas gerações seguintes viveram da caça e da pesca às margens do Rio Negro durante 200 anos, ela passou por uma grande mudança no início do século XX.

Com a instalação de um porto fluvial e o Ciclo da Borracha, que transformaram a floresta amazônica em um ponto de exportação de látex, o povoado viu a pobreza desaparecer, momentaneamente, atraindo novamente as atenções dos europeus.

(Fonte: BBC/Reprodução)(Fonte: BBC/Reprodução)

O auge de Velho Airão se deu na década de 1910, quando belas e enormes casas foram construídas na cidade, utilizando materiais importados de Portugal. Porém, a boa fase não durou muito, e quando ela acabou muitas pessoas abandonaram suas moradias.

O que aconteceu em Velho Airão?

Com o fim da Primeira Guerra Mundial, os ingleses e outros europeus deixaram de comprar o látex extraído da Amazônia. Como Airão era uma espécie de ponto de captação e distribuição do produto, o baque foi enorme no povoado, resultando na falência da cidade.

Sem renda, os moradores partiram para municípios vizinhos buscando trabalho e melhores condições, deixando para trás as luxuosas construções, que se transformaram em ruínas invadidas pela floresta. Um pouco antes disso acontecer, em meados do século passado, surgiu a lenda de que formigas estavam devorando a população, resultando na transferência dos habitantes para onde hoje existe a cidade de Novo Airão.

Shigeru Nakayama nas ruínas de Velho Airão. (Fonte: BBC/Reprodução)Shigeru Nakayama nas ruínas de Velho Airão. (Fonte: BBC/Reprodução)

A cidade-fantasma do Amazonas passou a ser usada pela Marinha como local de treinos em 1985, permanecendo assim até 2005, quando foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Naquele mesmo ano, algumas famílias retornaram ao antigo povoado, mas de acordo com a BBC existe apenas um morador na cidade abandonada atualmente, o eremita japonês Shigeru Nakayama, que chegou à Amazônia nos anos 1970 e sobrevive de doações dos turistas.

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