Fast fashion: por que a moda rápida é um problema?

Com o passar dos séculos, o ser humano foi ensinado a participar de uma cultura consumista em que grande parte dos produtos adquiridos não são feitos por necessidade. Essa é uma tendência que cresceu dentro do mundo da moda, especialmente onde nasceu o famoso estilo fast fashion

E o que é o fast fashion? Esse é o nome dado para o conceito da produção em massa de vestimentas e acessórios com baixo custo para os consumidores, mas que também oferecem baixa durabilidade. Sendo assim, o descarte das roupas é feito de maneira acelerada, e uma parte sai bastante desfavorecida dessa relação: o planeta Terra.

Crescimento da indústria

(Fonte: Pixabay)(Fonte: Pixabay)

Na década de 1960, um estudo realizado nos Estados Unidos (EUA) apontou que a média dos norte-americanos adultos comprava cerca de 25 itens de vestimenta por ano. Nesse mesmo período, a população gastou aproximadamente 10% de seus salários em roupas e sapatos. Além disso, 95% das peças compradas nos EUA eram confeccionadas dentro do próprio país.

Porém, as mudanças começaram a ocorrer a partir da década de 1970. Grandes fábricas e indústrias têxteis foram inauguradas na China e em outros países da Ásia e da América Latina. Com a promessa de mão de obra e materiais mais simples, esses locais poderiam aumentar a produção sem ter acréscimo de custos.

Com a chegada dos anos 1980, algumas lojas grandes de varejo estadunidenses começaram a terceirizar a produção. As peças de roupa chegaram a preços tão acessíveis que as pessoas se viram capazes de comprar mais coisas. Atualmente, estima-se que o norte-americano médio compre cerca de 70 itens de vestimenta por ano — quase 200% de aumento em comparação com 1960.

Em contrapartida, esse mesmo cidadão gasta somente 3,5% do seu salário em roupas e, agora, somente 2% das peças vendidas nos EUA são realmente produzidas no país. A escalada do consumismo fez que as marcas deixassem de produzir coleções por temporadas e passassem a lançar produtos quase que semanalmente.

Condições precárias de trabalho

(Fonte: Pixabay)(Fonte: Pixabay)

Se, por um lado, o fast fashion ajudou a deixar as roupas mais caras, nem todo mundo saiu beneficiado por essa relação. Por outro lado, trabalhadores passaram a receber piores condições de trabalho e diversas questões éticas foram quebradas para conseguir relativizar esses preços.

Em fábricas de produção na China, na Índia e em Bangladesh, as condições de trabalho são extremamente precárias. Estima-se que 50% dos trabalhadores que atuam dentro dessa indústria recebam menos do que 1 salário-mínimo, sendo os homens mais bem pagos do que mulheres e crianças.

Até 2018, pelo menos 38 marcas de roupa haviam sido envolvidas em escândalos com trabalho escravo no Brasil. As informações foram levantadas pelo aplicativo Moda Livre, que desde 2013 analisa quais são as marcas que usam mão de obra análoga à escravidão. 

Um caso bastante famoso aconteceu com a Zara em 2011, quando o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgatou 15 trabalhadores imigrantes costurando peças da marca em 3 oficinas terceirizadas em Americana (SP) e São Paulo (SP). A empresa admitiu o crime e disse que não monitorava as condições de trabalho dos terceirizados.

Impacto na indústria e no meio ambiente

(Fonte: Pixabay)(Fonte: Pixabay)

Outras duas situações importantes precisam ser destacadas a respeito do fast fashion: a concorrência desleal e seu impacto no meio ambiente. Em primeiro lugar, produtores que trabalham com métodos normais de produção perderam muito espaço no mercado porque simplesmente não conseguem concorrer contra os preços.

Para criar uma roupa de qualidade, você necessariamente precisa de materiais mais caros e que exigem mais trabalho de costura. Entretanto, com a mão de obra terceirizada ganhando salários muito baixos nas grandes empresas e roupas de menor qualidade, dificilmente esses pequenos produtores conseguirão se estabelecer entre públicos maiores.

Além disso, esse consumismo desenfreado tem causado um real estrago no planeta. Um relatório produzido pela Global Fashion Agenda aponta que roupas do fast fashion são usadas em média menos de 5 vezes e geram 400% mais emissões de carbono do que peças comuns.

Para se ter ideia, são necessários mais de 8 mil litros de água para a produção de um único jeans que logo se tornará substituível. O caos é tamanho que Gana, país na África Ocidental, tornou-se um lixão de roupas de má qualidade. Em média, 15 milhões de peças de roupa descartadas chegam ao país, onde são disputadas por revendedores.

Desacelerando o consumo

(Fonte: Pixabay)(Fonte: Pixabay)

Já que o fast fashion se mostrou um problema em diversas camadas, o que vem sendo feito para reverter esse cenário? Na contramão da moda rápida, o movimento "slow fashion" tem crescido e falado sobre a necessidade da produção de peças com maior qualidade e durabilidade.

Essas empresas precisam ser baseadas na ética e na transparência para que seus consumidores entendam a importância de gastar um pouco mais com produtos que poderão usar por longos períodos. Além disso, empresas que utilizam matéria-prima nacional ajudam a fortalecer a economia do país e a gerar mais empregos.

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