A história da maior comunidade de japoneses fora do Japão

O Japão, historicamente, permaneceu isolado do Ocidente por muitos séculos. Em 1542, por exemplo, os primeiros navios mercantes de Portugal chegaram ao país. Mas isso apenas fez que a nação se fechasse ainda mais, especialmente porque não gostaram da presença de jesuítas tentando espalhar o cristianismo.

(Fonte: Japão em Foco/ Reprodução)(Fonte: Japão em Foco/ Reprodução)

Mais de 200 anos depois, em 1853, Matthew C. Perry (1794-1858), um oficial naval dos Estados Unidos (EUA), acompanhado por uma frota de combatentes, conseguiu ancorar na Baía de Tóquio e forçar o país a “dar uma chance” para o comércio com outros países.

Ainda assim, o Japão continuou firme na resolução de não permitir que nenhum japonês deixasse o lugar. Essa situação somente começou a mudar em 1857, ano em que o imperador Meiji (1852-1912) chegou ao poder.

As reformas do imperador

Durante o seu reinado, entre 1864 e 1912, o imperador Meiji colocou em prática uma série de reformas que ficaram conhecidas como Revolução Meiji (de 1868 a 1900). Mudanças intensas foram feitas nos campos social, religioso, político, econômico, educacional, entre outros.

Imperador Meiji. (Fonte: Academia do Reiki/ Reprodução)Imperador Meiji. (Fonte: Academia do Reiki/ Reprodução)

Basicamente, o país, naquela época com um regime democrático recém-iniciado, voltava-se para a abertura econômica, especialmente liberando o acesso aos portos por estrangeiros. O intenso processo de urbanização e de ocidentalização que transformou o Japão em uma das maiores potências do mundo teve início nesse período.

Modernização japonesa

Não demorou muito para que o Japão do imperador Meiji se tornasse um dos melhores e mais bem-sucedidos casos de modernização de todo o Oriente. Isso deu poder ao país, que, no final do XIX, fez incursões dominando territórios da China e da Coreia, bem como a Ilha Formosa — hoje, Taiwan.

Já no início do século XX, a vitória militar do Japão contra os soviéticos fez que o país começasse a ser visto como uma potência imperialista militar. Além disso, tornou-se o principal rival econômico dos EUA no Pacífico.

Pobreza e desemprego

Por ocasião da Segunda Guerra Mundial, o país já tinha seus gigantescos conglomerados empresariais, como Mitsui e Mitsubishi.  Contudo, mesmo sendo uma das maiores potências mundiais da época, estava tendo problemas internos. A economia não ia bem, a pobreza aumentava nas zonas rurais e o desemprego não parava de subir.

(Fonte: About Japan/ Reprodução)(Fonte: About Japan/ Reprodução)

O povo não estava feliz, e diversos setores da sociedade criticavam o governo, principalmente devido à maneira como estava expandindo o domínio e a influência do país, ou seja, na base da força militar.

Então, o governo viu na imigração uma oportunidade onde todos ganhariam, tanto quem recebia os imigrantes quanto quem os enviava. Parecia ser uma ideia melhor do que as conquistas militares. 

O Brasil como destino

Por aqui, faltava mão de obra nas plantações de café. O problema é que os péssimos salários e as condições de trabalho nada decentes não agradaram os europeus. A situação foi tão crítica que a Itália proibiu aos seus cidadãos que viessem para o Brasil patrocinados pelo governo brasileiro. Com isso, a mão de obra voltou a faltar nos cafezais.

(Fonte: BBC/ Getty Images/ Reprodução)(Fonte: BBC/ Getty Images/ Reprodução)

Do outro lado do mundo, o Japão tentava lidar com a pobreza. Como o governo do país queria mandar japoneses para o exterior, quem precisava de trabalho aproveitou a oportunidade. Muitos grupos se estabeleceram no Peru e no México, mas foi nas plantações de café de São Paulo que os imigrantes da "terra do sol nascente" encontraram a prosperidade.

A vinda dos japoneses para o Brasil chegou ao ápice no fim dos anos 1920 e começo dos anos 1930. Contudo, o sentimento de aversão à população japonesa cresceu por aqui. Em 1934, Getúlio Vargas (1882-1954), impulsionado pelas próprias políticas nacionalistas, restringiu a entrada de cidadãos do Japão no Brasil.

Já durante o Estado Novo (1937-1945), Vargas colocou em prática uma série de restrições legais que afetavam a comunidade. O ano de 1942 é considerado a época em que a imigração japonesa para o Brasil teve fim.  Nesse período, havia por aqui cerca de 190 mil japoneses; atualmente, são mais de 2 milhões — entre pessoas que nasceram no Japão e seus descendentes em terras brasileiras.

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