4 realidades perturbadoras consideradas normais há 100 anos

Há 100 anos, o mundo havia acabado de testemunhar os 4 anos do conflito lamacento e mais mortal da História, a Primeira Guerra Mundial, que deixou mais de 10 milhões de mortos e 20 milhões de feridos.

Além disso, iniciava-se um novo período na América, repleto de novas invenções que prometiam revolucionar o século que havia acabado de começar, como filmes, aviões, rádio, carros e tudo o que se possa imaginar.

Porém, apesar de tudo isso, das novas ideias políticas e tecnologias que estavam transformando a vida das pessoas, havia um tom sinistro que jamais nos manteria conectados com aquela época. Se, de repente, você acabasse voltando para o passado, conseguiria viver em uma realidade assustadoramente retrógrada, autoritária, misógina, racista e elitista, permeada por uma ciência abusiva?

Bem, isso são apenas alguns dos aspectos considerados normais há 100 anos.

1. Ku Klux Klan

(Fonte: Gazeta do Povo/Reprodução)(Fonte: Gazeta do Povo/Reprodução)

Os movimentos opressores da organização Ku Klux Klan (KKK), endossadas pelas políticas de Jim Crow, eram considerados exercícios da liberdade de expressão, visto que a América é considerada um lugar de todos e para todos.

O então presidente dos Estados Unidos (EUA), Woodrow Wilson (1856-1924), fez de tudo para impulsionar o movimento, do recrutamento ao objetivo da organização, chegando a exibir o filme O Nascimento de uma Nação na Casa Branca logo no início do século XX, com o intuito de fazer a presença deles visível.

(Fonte: Uol/Reprodução)(Fonte: Uol/Reprodução)

O resultado foi que, há 100 anos, a KKK era parte aceita e aberta na sociedade americana, patrocinando festivais, reuniões de família e até concursos eugênicos de bebês, chegando a também oficializar casamentos e batizados. Eles também injetaram dinheiro em corridas e times de beisebol, escolas, clubes de costura e sociedades agrícolas. 

As raízes do movimento foram tão profundas, que seus membros ocuparam cargos públicos, com laços políticos que fez a Convenção Nacional Democrata de 1924 ser chamada "Klanbake".

2. Trabalho infantil

(Fonte: DocPlayer/Reprodução)(Fonte: DocPlayer/Reprodução)

Há 100 anos, menos de 20% das crianças frequentavam a escola no mundo, das quais apenas 9% delas terminavam. Desde cedo, elas eram forçadas a trabalhar em todo o tipo de negócio, vendendo fósforo e lenha ou em fábricas e minas de carvão. Não havia políticas que resguardassem os direitos do infante, principalmente porque a industrialização e o governo enxergavam a mão de obra infantil como uma forma de retorno financeiro ainda mais imediato — afinal, não era necessário pagar salários justos, tampouco pensar em jornadas diárias.

Ainda que essas crianças não trabalhassem nesses lugares, elas faziam isso no seio familiar, ajudando os pais. Elas não tinham tempo para se divertir ou estudar, isso era algo incomum para a sociedade pobre da época.

3. Execuções públicas

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Os EUA foram responsáveis por moldar a prática do linchamento como a conhecemos hoje, embora tenha sido muito usada no passado em várias parte do mundo. De 1877 a 1950, a linchagem se tornou um método de controle social, com a ideia de trazer a lei às mãos, e principalmente racial, visando aterrorizar os americanos afrodescendentes.

Só naquele tempo, estima-se que cerca de 15 mil pessoas foram linchadas no país, em um espetáculo público que atraía multidões. Para se ter uma noção, a última execução pública contou com a presença de 20 mil pessoas, fascinadas também pelo fato de o xerife responsável ser uma mulher. A justiça impiedosa era exaltada pela sociedade, mas também não tinha nada de justa.

Ainda que depois os legisladores de todos os estados tenham proibido a prática, o governo não fez nada para frear a justiça do povo, e os linchamentos continuaram até 1968. Os dados da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP) apontam que 72% das pessoas linchadas naquele tempo eram negras.

4. Sem tratamento

(Fonte: Foochia/Reprodução)(Fonte: Foochia/Reprodução)

A pobreza da Ciência e da Medicina do século XX era uma experiência ainda pior para as mulheres, que foram totalmente excluídas de pesquisas médicas (sendo que elas só foram obrigatoriamente incluídas em 2016), resultando em anos de tratamento e diagnósticos errados ou vexatórios.

De acordo com um artigo da The Week, em 1907, os médicos eram instruídos a preparar as mulheres grávidas para o parto "cortando o cabelo ao redor da genitália com uma tesoura, esfregando com água quente para tornar estéril e banhando com solução de dicloreto".

A Medicina também teorizava que o útero estava conectado diretamente ao clitóris, e que as dores do parto poderiam ser tratadas aplicando pressão com os dedos nos terminais nervosos dentro e ao redor da área.

As mulheres também foram constantemente diagnosticadas com histeria feminina, cujos sintomas poderiam ser qualquer comportamento que os homens não gostassem, resultando em tratamentos envolvendo massagem pélvica até que elas tivessem orgasmos.

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