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Quando acidentes de trens se tornaram um entretenimento perigoso

De arremesso de raposas no século XVII ao turismo atômico da década de 1950, os americanos sempre desfrutaram de um gosto peculiar em momentos de diversão. Entre 1896 e 1930, os cidadãos se arrumavam para se sentar em uma plateia e assistir a encenações de batidas de trens.

Em 15 de setembro de 1896, 40 mil pessoas se reuniram no norte de Waco, no Texas (EUA), para ver 2 locomotivas de 35 toneladas se chocarem a 80 km/h, fazendo suas caldeiras explodirem com o impacto, criando uma erupção de destroços, lançados a centenas de metros em todas as direções.

(Fonte: Flickr/Reprodução)(Fonte: Flickr/Reprodução)

Como consequência, fragmentos do maquinário desfiguraram milhares de espectadores ao atingirem a plateia, cegando um homem, matando duas pessoas durante uma tempestade de granizo de metal e outras que acabaram com parafusos alojados na cabeça. Ninguém sabe quantos outros foram desfigurados e queimados.

Por incrível que pareça, as pessoas pagaram para testemunhar esse evento — e quase a própria morte. O que é mais bizarro é que elas entravam em luta corporal no momento em que os comboios colidiam para poder coletar uma lembrança do choque.

A prática perigosa    

(Fonte: Desert News/Reprodução)(Fonte: Desert News/Reprodução)

No início daquele ano, A.L. Streeter organizou o primeiro evento de colisão de trem ao vivo, descrito por ele como "o espetáculo mais realista e caro já produzido para a diversão do público americano".

O evento deu tão certo que mais 6 foram organizados antes de o feito por William George Crush, um agente geral de passageiros da Missouri-Kansas-Texas Railroad (MK&T), em Waco. Para essa encenação em questão, os trabalhadores da ferrovia criaram uma cidade fictícia a 24 quilômetros do centro de Waco para que o show pudesse acontecer de maneira “segura”.

(Fonte: Amusing Planet/Reprodução)(Fonte: Amusing Planet/Reprodução)

Para acomodar os pagantes, os organizadores perfuraram dois poços, instalaram canos para torneiras, trouxeram tanques de água mineral e montaram barracas de limonada e um restaurante temporário.

Para entretê-los até a hora do grand finale, eles se inspiraram nos moldes da Feira Mundial de 1893 e montaram bancas de jogos, bem como organizaram apresentações de artistas circenses. Aqueles que pagaram ingresso para roubar as pessoas e outros tipos de criador de problemas foram parar em uma prisão de madeira nos fundos do espaço.

Um empreendimento lucrativo

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Esse tipo de entretenimento foi um alento para a economia da época, que ainda estava saindo de uma crise, arrecadando milhares de dólares por dia com passagens de trem de ida e volta no valor de US$ 2, beneficiando diretamente a indústria ferroviária. 

A MK&T foi a que mais se beneficiou com o empreendimento, visto que sofria com a quantidade de competição, embora estivesse crescendo no ramo ferroviário. Para eles, valia a pena destruir duas locomotivas na frente de milhares de pessoas apenas para se manter em relevância e lucrar.

Apesar de a cena pós-acidente ser de caos e horror, a mídia nem sequer se preocupou com as vítimas e os perigos do evento, apenas elogiou a ideia dos organizadores do espetáculo, criando uma sede por mais eventos como esse e ajudando a popularizar o espetáculo.

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