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Heróstrato destruiu uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo

Ainda que não seja um consenso histórico, acredita-se que as primeiras listas elegendo as 7 Maravilhas do Mundo Antigo foram criadas pelo historiador Heródoto e o estudioso Calímaco de Cirene, no Museu de Alexandria, no Egito. No entanto, também existem versões mais conhecidas, como as do poeta Antípatro de Sidon, do século II a.C., e do matemático Filão de Bizâncio.

Eles teriam escolhido o número sete devido ao significado grego espiritual, representando a perfeição, e a soma dos cinco planetas conhecidos na época, incluindo o Sol e a Lua. Apesar de a infinidade de estruturas espalhadas pelo mundo naquele tempo, só algumas dessas entraram na lista porque foram curadas com base nos locais para os quais cada um deles havia viajado, além da opinião pessoal.

Entre a Pirâmide de Gizé, o Mausoléu de Halicarnasso, a Estátua de Zeus, o Colosso de Rodes, o Farol de Alexandria, e os Jardins Suspensos da Babilônia, estava também o Templo de Ártemis e sua saga histórica.

Um local imponente

(Fonte: Flickr/Reprodução)(Fonte: Flickr/Reprodução)

Quando foi construído pela primeira vez, durante a Idade do Bronze, na segunda metade do século VIII a.C., na antiga cidade de Éfeso (atual Selcuk, na Turquia), o Templo de Ártemis foi dedicado à Ártemis, deusa grega da caça. Naquele tempo, ele não era tão impressionante, apenas um simples centro de adoração, que acabou soterrado após uma inundação, em meados do século VII a.C.

Demorou 125 anos para que o arquiteto cretense Quersifrão e seu filho Metágenes decidissem reconstruir o templo, em meados de 550 a.C., com o objetivo de torná-lo  o maior templo grego da História. O projeto levou 10 anos para ser concluído, feito todo em mármore, com 127 colunas de 20 metros de altura cada uma, com relevos esculpidos pelo famoso artista Scopas, com uma área de 125 metros de comprimento por 46 de largura.

Reis, camponeses e mercadores peregrinaram até o Templo de Ártemis para prestar homenagens à deusa.

O sonho de Heróstrato

(Fonte: Timetoast/Reprodução)(Fonte: Timetoast/Reprodução)

Em 21 de julho de 356 a.C., um camponês chamado Heróstrato caminhou para dentro do Templo de Ártemis com uma tocha e incendiou uma das vigas de madeira de sustentação. A intensidade das chamas causou o colapso da fachada do templo e o abalo de várias colunas, que cederam pelo calor, soterrando a estrutura sobre si mesma.

Ao ser capturado, Heróstrato admitiu que ateou fogo porque estava desesperado para "cimentar seu nome na História", o que só conseguiria por meio de um ato criminoso grandioso como aquele. Após ser torturado, o homem foi condenado à morte e, para impedir que seu ato inspirasse outras pessoas, as autoridades gregas implementaram a chamada “condenação da memória”, uma lei impedindo que fosse proibido falar ou escrever o nome de uma pessoa condenada, assim ela estaria fada ao esquecimento.

As autoridades não tiveram muito sucesso, a não ser na época, visto que até o termo "fama herostrática", para se referir ao desespero de alguém por ficar famoso, foi cunhado através dos séculos em referência ao crime do homem.

(Fonte: History Today/Reprodução)(Fonte: History Today/Reprodução)

Enquanto um marco da antiguidade sucumbia em chamas e escombros, naquele mesmo dia nascia o que seria um grande nome, Alexandre, o Grande. Foi ele que se dispôs a financiar a reconstrução do templo, em 323 a.C., com os recursos do próprio bolso. Porém, os efésios insistiram em arcar com o projeto, dando origem a uma nova versão do templo, nomeada como uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo.

A construção era maior que a segunda, com 137 metros de comprimento, 69 metros de largura, 18 metros de altura e mais de 127 colunas. Essa versão do Templo de Ártemis sobreviveu por mais de 600 anos, até que fosse destruída em definitivo durante a invasão dos godos, em 269, uma tribo germânica oriental.

Tudo o que restou foram ruínas e a própria história, como se o templo estivesse fadado a permanecer no chão.

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