Rose O'Neal, a espiã que negociava segredos com os Confederados

09/01/2023 às 13:003 min de leitura

Durante a Guerra Civil Americana (1861-1865), uma figura proeminente se destacou no campo de batalha e trouxe implicações para o conflito que fortaleceriam os Confederados, mesmo havendo uma clara desvantagem das tropas sulistas. Rose O'Neal Greenhow, uma mulher rejeitada pela cúpula de Washington pelo seu "baixo nascimento", surgiu como uma das grandes líderes de redes de espionagem e buscou ajudar seus aliados em uma possível vitória dita como inviável para muitos.

Nascida em meados de 1815 em uma fazenda em Maryland, Rose O'Neal teve uma juventude marcada por tragédias: seu pai foi assassinado por um homem escravizado e seus irmãos foram separados e distribuídos entre os parentes. Enviada a uma pensão de elite na adolescência, Greenhow admirava o cenário social da época, mesmo lutando para ter uma posição de relevância, até que se casou com bibliotecário e tradutor federal e viu suas perspectivas mudarem rapidamente.

Após 1835, ela já estava entre os escalões superiores da elite norte-americana, chegando a criar vínculos de amizade com a ex-primeira-dama Dolley Madison e com o ex-presidente James Buchanan. Infelizmente, na década de 1850, seu marido faleceu após um acidente, e esse momento impulsionou Rose a se tornar atuante com o advento de uma guerra logo depois da nomeação de Abraham Lincoln como presidente. Foi assim que ela decidiu apoiar a causa dos Confederados.

(Fonte: Library of Congress / Reprodução)(Fonte: Library of Congress / Reprodução)

Fervorosamente pró-escravidão, Rose O'Neal Greenhow foi convocada pelo tenente-coronel Thomas Jordan — assistente do general confederado P.G.T. Beauregard — para formar uma quadrilha de espionagem em Washington, DC. Segundo informações, essa seria a melhor forma de executar uma sabotagem contra os inimigos da União, que planejavam marchar para Manassas, na Virgínia. Para isso, ela contou com o apoio de uma jovem chamada Bettie Duvall, uma infiltrada que compartilhou documentos sobre os números de integrantes dos adversários.

A mensagem entregada de Duvall a Beauregard confirmou que a marcha da União era composta por aproximadamente 55 mil homens e faria um deslocamento de Arlington Heights e Alexandria para Manassas [perto de Bull Run], via Fairfax Court House e Centerville. Foi assim que começou a Primeira Batalha de Bull Run (21 de julho de 1861), quando as tropas do sul pegaram seus inimigos desprevenidos e os derrotaram, preparando o terreno para os próximos anos de conflito.

A "rosa" capturada

Ao perceber que a espionagem era um possível caminho para a vitória, Rose O'Neal Greenhow continuou a operar na capital norte-americana e formou um time com 48 mulheres e dois homens, frequentemente enviando mensagens codificadas a Beauregard e outros confederados. Com o tempo, as suspeitas da União aumentaram e Allan Pinkerton, chefe do Serviço de Inteligência dos Estados Unidos, decidiu colocar Greenhow e sua equipe sob vigilância. 

Ela acabou presa e teve sua casa revistada pelo agente, que encontrou um enorme esconderijo de materiais sensíveis. Eles incluíam cartas, mapas, notas, mensagens cifradas e papéis queimados que quase foram destruídos. Porém, mesmo em prisão domiciliar, Rose continuava a espionar para a Confederação e chegou a colocar sua filha, Little Rose, como centro de um serviço de contrabando por meio de embalagens de doces. 

(Fonte: Getty Images / Reprodução)(Fonte: Getty Images / Reprodução)

“Ela não cessou de fazer planos, de tentar subornar os oficiais que a mandam, de fazer sinais nas janelas de sua casa para seus amigos na rua, de se comunicar com esses amigos e através deles… ”, reclamou Pinkerton, segundo o The New York Times. Assim, ambas as mulheres foram enviadas para a Prisão do Antigo Capitólio em Washington e, após quatro meses em cárcere, foram banidas do norte do país.

De volta ao sul, Greenhow foi recebida como uma heroína e foi enviada para a Europa em uma viagem diplomática em nome da Confederação. Aparentemente, essa empreitada teria sido um sucesso e resultou em ganhos de mais de US$ 2.000 em ouro para a espiã. Porém, quando ela estava a pouca distância de casa, à bordo do navio Condor, o navio da União USS Niphon entrou em confronto direto e fez com que Greenhow fugisse em um bote salva-vidas.

Sobrecarregada pelo ouro carregado e posicionada em um frágil bote inflável, ela acabou se afogando e foi enterrada com todas as honras militares no Oakdale Cemetery em Wilmington, Carolina do Norte.

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