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Tom Brown, o caçador de maçãs que resgata variedades 'perdidas'

Há aproximadamente 25 anos, o engenheiro químico aposentado Tom Brown (79) vem dedicando sua vida a resgatar maçãs perdidas da herança dos Apalaches, região norte-americana que abriga 420 condados em 13 estados. Suas investigações, consideradas um "trabalho de toda uma vida", contam com dezenas de histórias curiosas e resultaram na salvação de cerca de 1200 variedades, com grande parte delas sendo raras e patrimoniais.

A busca de Tom Brown pelas maçãs patrimoniais dos Apalaches iniciou em 1998, quando teve contato com os primeiros espécimes estranhos em um mercado histórico de agricultores. Segundo Brown, as frutas, que tinham nomes exóticos como Bitter Buckingham, White Winter Jon, Arkansas Blacke Billy Sparks Sweetening, Jonathans e Twenty Ounce, se destacavam por apresentar cores e tamanhos distintos, algo que o levou a ir atrás do vendedor Maurice Marshall para descobrir de onde vinham tais iguarias.

(Fonte: Carla Walsh - Alamy / Reprodução)(Fonte: Carla Walsh - Alamy / Reprodução)

Essas maçãs, padronizadas nas décadas de 1700 e 1800, haviam desaparecido de circulação comercial em 1950, e desde então foram dadas como perdidas em pouco mais de 3200 quilômetros de extensão territorial. Impressionado com tais informações, Brown se questionou "quão legal seria encontrar uma maçã que ninguém prove em 50 ou 100 anos?", e decidiu pesquisar a história das maçãs patrimoniais dos Apalaches.

Os pomares históricos dos EUA

No início do século XX, cerca de 14 mil variedades de maçãs cresceram nos Estados Unidos e a maioria podia ser encontrada em pomares dos Apalaches. Logo, o mercado investiu nas colheitas frutíferas devido à facilidade de manutenção e aos baixos custos, fazendo com que quase todas as fazendas locais se especializassem no cultivo de maçãs. As circunstâncias climáticas e o boom comercial fizeram com que as maçãs fossem mais operadas do que a cidra, que na época era a bebida mais escolhida pelos colonos, a as tornaram as joias do país.

(Fonte: National Agricultural Library / Reprodução)(Fonte: National Agricultural Library / Reprodução)

Porém, em pouco menos de 50 anos, as tradições apalaches sucumbiram pela migração urbana, agricultura fabril e sistemas alimentares corporativizados. Em 1950, fazendeiros foram forçados a abandonar seus negócios e os jardins passaram a desaparecer rapidamente, e como consequência não somente a produtividade foi significativamente reduzida, mas os investimentos no negócio sofreram a pior baixa de todos os tempos.

"Me chateou saber disso", disse Brown, lamentando a extinção de quase 11 mil variedades. "Eram alimentos que as pessoas já se importavam profundamente, que tinham sido centrais para suas vidas. Foi errado deixá-los morrer."

O trabalho de recuperação

Ao conhecer as histórias, Tom Brown as encarou como um "chamado" e iniciou um projeto para recuperar as maçãs esquecidas, logo após aprender o básico sobre identificação, clonagem, enxerto e manutenção de árvores apalaches. Seu trabalho contou com uma profunda investigação, e listas, características, rumores e avaliação de áreas foram discutidos, de forma a ajudar no rastreio dos catálogos de pomar.

(Fonte: Atlas Obscura / Reprodução)(Fonte: Atlas Obscura / Reprodução)

Atualmente, Brown dirige aproximadamente 48,3 mil quilômetros por ano e dedica cerca de três dias por semana à caça de maçãs, trabalhando ao lado de municípios e ONGs para coletar informações e resgatar frutas "desaparecidas". Seu pomar Heritage Apples, localizado em Clemmons, Carolina do Norte, já conta com 700 espécimes raros recuperados na Geórgia, Carolina do Sul, Carolina do Norte, Kentucky, Tennessee, Virgínia Ocidental, Maryland e Pensilvânia.

O projeto de caça às maçãs é reconhecido por conservacionistas e profissionais da culinária, visto que o cultivo de Brown resulta na venda de quase 1000 mudas anuais, contribuindo para o renascimento da culinária tradicional e para a manutenção de um ecossistema natural considerado extinto por décadas.

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