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Cocô humano antigo é usado para analisar a civilização maia

Uma nova técnica arqueológica, chamada análise de estanóis fecais, foi utilizada por arqueólogos em núcleos de sedimentos de lagos, para reconstituir as variações de populações humanas que habitaram a antiga cidade maia de Itzán, na Guatemala. As descobertas revelaram uma estreita ligação entre períodos de secas e excessiva umidade com declínios populacionais importantes.

Benjamin Keenan, líder da pesquisa (Fonte: Elisandra Hernández/Reprodução)Benjamin Keenan, líder da pesquisa (Fonte: Elisandra Hernández/Reprodução)

Publicada em abril passado, na revista científica Quaternary Science Reviews, a pesquisa trabalha com a observação dos estanóis, nome dado às moléculas orgânicas encontradas na matéria fecal humana e animal. Segundo os cientistas, a variabilidade na concentração deste estanol fecal é um proxy (indicador ambiental) confiável para avaliar populações humanas relativas. 

Com o uso da nova técnica, os pesquisadores realizaram um mapeamento das variações populacionais da civilização maia próxima à laguna Itzán, ao longo de 3,3 mil anos antes do presente (AP). Um dos primeiros achados foi que os humanos habitavam essa região pelo menos 650 anos antes do que sugerem as evidências arqueológicas atuais.

As revelações dos estanóis fecais da Laguna de Itzán

Produção de coprostanol do intestino de mamíferos mortos (Fonte: White et al./Divulgação)Produção de coprostanol do intestino de mamíferos mortos (Fonte: White et al./Divulgação)

A análise do coprostanol existente no lago permitiu inferir três períodos de declínio populacional associados a evidências paleoclimáticas de um clima extremamente seco durante o período Terminal Clássico (1220-1050 cal ano AP) e o Protoclássico 2 (1860-1670 cal anos AP), além de uma seca pouco conhecida entre 3330 e 2900 cal anos AP, durante os chamados períodos pré-clássicos.

Durante o pré-clássico tardio, houve um declínio e um hiato na produção de coprostanol que coincide com um clima anormalmente úmido. As análises também mostraram que o conhecido "colapso" da civilização maia, ocorrido entre 800 e 1000 d.C. em razão de seca ou guerras, não existiu de fato, pois os maias continuaram ocupando a área. 

Fonte: ShutterstockFonte: Shutterstock

Foram também reveladas evidências de um elevado crescimento populacional ocorrido na mesma época de um documentado registro de refugiados que chegaram à região, fugindo de um ataque espanhol em 1697 d.C. ao último reduto maia em Nojpeten. Essa migração era um fato do qual não se tinha conhecimento ainda.

A pesquisa mostrou que estanóis fecais são substitutos importantes para o estudo da dinâmica da população humana do passado.  

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